Freeport: Bloco quer rapidez na conclusão da investigação

01 de abril 2009 - 13:20
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Há suspeitas de pressões sobre os magistrados que conduzem o processo FreeportO Bloco de Esquerda quer celeridade na conclusão das investigações do caso Freeport, com isenção e esclarecimento total da verdade. Por outro lado, o Procurador Geral da República reúne esta quarta-feira com o procurador geral adjunto Lopes da Mota, para averiguar se existiram pressões sobre os magistrados que conduzem o processo para arquivar todas as suspeitas de corrupção.  

"O Bloco de Esquerda espera e deseja que o processo seja concluído com a máxima rapidez, isenção e com todo o esclarecimento da verdade", afirmou aos jornalistas o deputado João Semedo,

acrescentando que para o Bloco, é inaceitável e incompreensível que "o processo se arraste por tantos anos". "Não é uma situação boa e é um factor de turbulência na vida política do país", sustentou o deputado bloquista.



Entretanto, depois de ter negado a existência de qualquer tipo de pressão sobre os magistrados que conduzem o processo Freeport, a Procuradoria Geral da República veio agora anunciar uma reunião com o procurador geral adjunto e presidente da Eurojust, acusado pelo sindicato dos magistrados de tentar influenciar a condução do processo. "Confirma-se que vai haver uma reunião na Procuradoria-Geral da República para esclarecer, espera-se que de vez, se existiu alguma conversa com algum significado especial", referiu a assessoria de imprensa da PGR. A reunião realiza-se esta quarta-feira, às 15h30.

Os magistrados que investigam o caso Freeport explicaram anteontem ao procurador-geral da República, Pinto Monteiro, que as pressões para arquivarem o processo partiram do procurador-geral adjunto Lopes da Mota, que preside actualmente ao Eurojust, o organismo de cooperação em matéria penal entre países da UE, sedeado em Haia, na Holanda. Antes de ingressar no Eurojust, Lopes da Mota foi secretário-geral da PGR, no mandado de Souto Moura, tendo antes ocupado o cargo de secretário de Estado da Justiça, durante o primeiro governo de António Guterres, na altura em que José Sócrates era secretário de Estado do Ambiente.

Ao que apurou o jornal Público, na reunião que Lopes da Mota teve com os dois magistrados que conduzem o processo, não se limitou a apresentar argumentos jurídicos para defender o arquivamento do processo, avisando que a postura dos dois magistrados poderia ter consequências nas suas carreiras.