O Dia do Estudante é assinalado com uma manifestação descentralizada de alunos do ensino básico, secundário e superior. Os das escolas profissionais lançam abaixo-assinado reclamando "intervenção urgente do Governo"
Um representante da Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico explicou que a manifestação é nacional, mas os alunos que se vão concentrar frente ao Ministério da Educação vêm de escolas do distrito de Lisboa e Setúbal.
De acordo com Luís Encarnação, o carácter nacional da manifestação traduz-se por acções de protesto das várias escolas secundárias e básicas do país frente à Direcção Regional de Educação correspondente.
Em Lisboa, a acção iniciou-se durante a manhã, na Praça do Saldanha. Os alunos irão depois a pé pela Avenida da República até ao Ministério da Educação, na Avenida 5 de Outubro.
Em causa, justificou Luís Encarnação à Lusa, estão o Estatuto do Aluno, cujas "alterações hão-de ser para pior", os ataques à "liberdade em democracia", com os "estudantes de todo o país que já foram identificados pela Polícia", e a privatização dos serviços escolares, porque "o Estado anda a fazer obras nas escolas a troco de privatizar o bar, a cantina, a papelaria e o espaço da escola".
No ensino superior não existem acções concertadas a nível nacional, embora a Associação de Estudantes da Escola de Artes e Design das Caldas da Rainha tenha convocado uma manifestação nacional que pretende reunir estudantes universitários de todo o país na rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, pelas 14:00, para depois caminharem até à Assembleia da República.
À iniciativa já aderiram alguns movimentos estudantis, como um grupo de estudantes da Universidade de Aveiro e outro do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), mas de fora ficaram algumas das principais associações de estudantes universitários do país.
"Que eu saiba, oficialmente, não [está marcada nenhuma manifestação]", disse à Lusa o presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Ricardo Morgado. Disse também que está apenas prevista a entrega de um abaixo-assinado na Assembleia da República e de uma cópia no Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior a pedir a suspensão do regime de prescrições por dois anos.
A Associação Académica de Coimbra (AAC) também participa na entrega do abaixo-assinado.
Gonçalo Assis, o presidente da Associação de Estudantes da Universidade de Lisboa (AEUL), adiantou que a única iniciativa marcada para assinalar o Dia do Estudante na qual a AEUL participará, será a recepção aos estudantes Erasmus, organizada pela Câmara Municipal de Lisboa.
Já os estudantes das escolas profissionais lançam, esta quarta-feira, um abaixo-assinado a reclamar uma "intervenção urgente do Governo" nesta área, que consideram estar a ser tratada "como um albergue de jovens" com pouco sucesso no ensino secundário, adianta a Lusa. Estima-se que existam 70 mil alunos nestas escolas.
"O Governo tem de ter maior responsabilização sobre o ensino profissional. Cada vez há mais alunos, mais cursos e mais escolas e o Governo não dá atenção a isso", afirmou João Martins, da Associação de Estudantes da Escola Profissional de Ciências Geográficas, responsável pelo abaixo-assinado.
Os estudantes queixam-se de pouca oferta de escolas públicas e de uma proliferação exagerada de escolas profissionais privadas, "muitas vezes sem quaisquer condições".
Na Direcção Regional de Educação de Lisboa, por exemplo, só há quatro escolas profissionais públicas.
Um maior investimento em "condições materiais e humanas" é outra das reclamações.
Pretendem ainda aperfeiçoar a componente teórica nas escolas dedicadas ao ensino profissional, com o objectivo de "garantir a igualdade de acesso" ao ensino superior.
A Associação de Estudantes da Escola Profissional de Ciências Geográficas pretende conseguir 4000 assinaturas, para que o abaixo-assinado possa ser entregue e debatido na Assembleia da República.