Caso Freeport: Sócrates contra-ataca com processo por difamação

28 de março 2009 - 11:34
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Charles Smith tentou convencer os donos do Freeport que o dinheiro que recebeu teve como destino o pagamento de luvas ao ex-ministro do Ambiente. Foto José GoulãoA TVI divulgou a gravação da conversa que está na posse da polícia inglesa, em que Charles Smith tenta explicar aos donos do Freeport que o destino dado ao dinheiro que recebeu daquela empresa foi o pagamento de luvas, acusando claramente o primeiro-ministro português de ser "corrupto". A divulgação parcial desta reunião em horário nobre na televisão levou Sócrates a anunciar que irá "agir judicialmente contra os autores desta difamação".

 

A gravação é da autoria de Alan Perkins, administrador da Freeport que, sem os seus interlocutores saberem, registou esta conversa em 2006 com o consultor Charles Smith e o seu funcionário João Cabral. O tema da reunião resume-se às perguntas de Perkins para saber qual o destino do dinheiro que saíu da Freeport através desta consultora.



Charles Smith, um dos arguidos do processo Freeport, diz claramente que o dinheiro servia para pagar em pequenas tranches ao longo de dois anos um suborno de que seria beneficiário o então ex-ministro do ambiente José Sócrates. Ainda segundo a explicação do consultor, corroborada pelo funcionário português, a entrega seria feita através de um primo de Sócrates.



Referindo-se à aprovação do projecto nos últimos dias do seu mandato enquanto ministro, Smith diz que nessa altura Sócrates não o fez por dinheiro, mas sim por "ser mesmo estúpido". Alan Perkins tenta ir mais fundo na conversa no sentido de perceber se a explicação dos consultores para o recebimento de verbas tão avultadas tem alguma consistência. E pergunta-lhes se faz algum sentido continuar a pagar luvas a alguém que já não ocupa nenhum cargo no governo, uma vez que as eleições de 2002 dariam a vitória a Durão Barroso.



Aqui, Smith e Cabral defendem-se dizendo que "o Sócrates tinha grandes ligações.  É por isso que toda a gente tem medo de não pagar. É melhor continuar a pagar." Smith admite ter-se encontrado com um primo do primeiro-ministro, acompanhado por Sean Collidge, da administração da Freeport, tendo esse primo garantido a aprovação do projecto. E também acusa este administrador e Gary Russell de terem estado num encontro num hotel de Lisboa em que os interlocutores pediram um milhão de luvas, embora na gravação não se consiga perceber qual a moeda em causa.



"Tendo tomado conhecimento da divulgação pela TVI de uma gravação contendo referências ao meu nome, a propósito do caso Freeport, esclareço o seguinte: No que me diz respeito, essas afirmações são completamente falsas, inventadas e injuriosas", responde o primeiro-ministro, que entretanto deu instruções ao seu advogado "para agir judicialmente contra os autores desta difamação".