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Uma grande família

O casamento foi sempre uma forma de coesão da classe dominante portuguesa. No dia em que o livro é lançado em Braga e no Porto, publicamos a árvore geneológica essencial da grande família dos Donos de Portugal.
Árvore genealógica - Livro "Donos de Portugal"

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Imagine a leitora ou o leitor que tinha a hipótese de espreitar um jornal de economia português publicado num futuro longínquo. Uma edição, digamos, do ano 2150. É difícil arriscar hoje o que ali se encontraria, muito menos quais seriam os protagonistas de relatos cujas forma e suporte são ainda mais difíceis de antecipar. Pois imagine então um seu antepassado, leitor das crónicas de negócios dos meados do século XIX que, regressado à Lisboa do futuro em 2010, pegasse no Jornal de Negócios ou no Diário Económico. Que lhe causaria maior impressão?

As fotos coloridas em vez das gravuras de tinta ainda fresca? O descuido dos senhores, sem bigode e sem cartola? Ou essa espécie de avaria da máquina do tempo que mantém no sítio os nomes, as grandes famílias que, no tempo de onde vinha, povoavam a Baixa ou a Lapa? Os mesmos Espírito Santo, os mesmos Ulrich, os mesmos Mello.

E se eles ainda lá estivessem em 2150?

A árvore geneológica resumida que aqui apresentamos é um mapa das principais ligações matrimoniais entre as famílias que têm constituído as maiores fortunas de Portugal. O resultado dá uma das explicações fortes para a avaria da máquina do tempo deste visitante do século XIX: o casamento foi uma forma de concentração de propriedade, de reforço da conexão de interesses, de organização de relações sociais e portanto da coesão essencial do segmento mais poderoso da classe dominante.

Ao longo do livro que tem nas mãos, são referidos alguns dos casamentos que asseguraram a continuidade da rota das fortunas, alianças que configuraram a economia e a permanência de um centro na transmissão da grande propriedade. No centro desse centro, está a família Mello, como o gráfico mostra, o mais importante ponto de confluência da endogamia que caracteriza a burguesia portuguesa.

Mello: matrimónio e património

Na primeira metade do século XX, os Mello ligam-se ao fundador da CUF, Alfredo da Silva (a sua filha, Amélia, casa com Manuel de Mello, filho de Jorge de Mello e de uma filha de Adolfo Lima Mayer). Na geração seguinte, como veremos, os Mello vão ligar-se aos Sommer Champalimaud (casamento da filha de Manuel de Mello com António Champalimaud). É também daquele período a ligação aos Ulrich (Fernando Ennes Ulrich casa sucessivamente com uma sobrinha e com uma filha do conde do Cartaxo), aos d’Orey (por via de dois sobrinhos de Jorge de Mello, casados com filha e neta de Frederico Mouzinho de Albuquerque d’Orey) e aos Pinto Basto (pelo casamento de Maria da Conceição, sobrinha de Manuel de Mello, com António d’Orey Pinto Basto). Já em 1960, Madalena Espírito Santo, irmã do anterior presidente do BES, Manuel Ricardo, casa com Frederico Mendonça de Menezes, filhode um primo direito de Manuel de Mello. Em suma, os Mello posicionam-se, como hoje se diz, no código genético da burguesia portuguesa. Com vantagem para todas as partes.

Outro dos casamentos do século uniu o futuro presidente do BES, Manuel Ricardo Espírito Santo, e Maria do Carmo Moniz Galvão, filha única do maior accionista individual deste banco antes da nacionalização e de uma prima direita de Champalimaud. Em 2009, Maria do Carmo chegou ao quarto lugar no ranking das fortunas portuguesas (JN, 29.07.2009). Nas suas mãos, além de 16% do BES, tem 100% da Santocar, empresa de comércio automóvel que factura 450 milhões de euros por ano (S, 29.11.2007). Curiosamente, a sua cunhada, Madalena Espírito Santo Silva, é casada com um primo direito de João Pereira Coutinho, outro dos grandes comerciantes portugueses de automóveis, com negócios também noutros sectores.

Lima Mayer, Mello, Champalimaud, Espírito Santo, Pinto Basto, Bensaúde, Ulrich, são portanto todos da mesma grande família. Concorrentes e mesmo por vezes adversários, mas a história teceu uma teia de alianças familiares que foi falando alto, como veremos nos capítulos seguintes. É certo que, pelo caminho, saíram da ribalta alguns dos apelidos da árvore: Lima Mayer, Pinto Basto, Burnay: matrimónios no estrangeiro, desventura nos negócios, heranças dispersas.

Mas não há razão para cuidados: não se trata de um inusitado fenómeno de proletarização da alta burguesia… Por muito que a descendência destas famílias perca espaços de cooperação ou rostos que a representem, ela emerge abundantemente em órgãos sociais de empresas ou em elencos governativos. Um exemplo é o de Francisco van Zeller, presidente da CIP até 2010, ele próprio bisneto de Eduardo Burnay (irmão de Henry, o Conde de Burnay) e de Maria Feliciana Ramalho Ortigão, filha do autor de As Farpas.

Os tempos mudaram. A direcção dos negócios não é parte da herança. O «mérito», agora, é que conta. Assim falavam, em entrevistas antigas (Mónica; Lisboa, 1990), os empresários ascendentes dos anos 90, Soares dos Santos, Belmiro de Azevedo, Américo Amorim. Vinte anos depois, a associação da família à propriedade passa, como sempre, pelo exercício do poder. Alexandre Soares dos Santos abre alas para o seu filho José; Belmiro já instalou Paulo; Amorim não desiste de procurar soluções dentro de continuidade na família.

De resto, apesar de rarearem os vistosos matrimónios do século XX, ainda hoje os donos de Portugal se cruzam nas suas bodas. Lá estão eles: Janeiro de 2006, casamento da filha de Ricardo Salgado, Catarina (presentes: Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, Manuel Pinho, Rui Vilar, Joaquim Oliveira). Outubro de 2008, casamento da filha de Luís Champalimaud, Inês (presentes: Joe Berardo, Paulo Teixeira Pinto, Fernando Ulrich, Ricardo Salgado). Agosto 2009, casamento do filho de Vasco Pereira Coutinho, Vasco (presentes: Durão Barroso, Ricardo Salgado), Maio de 2009: casamento da filha de Fernando Ulrich, Margarida (além dos habitués, as colunas do jet-set dão nota da presença de uma super-estrela: Isabel dos Santos, a filha do presidente de Angola).

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Comentários

O «jet-set» da oligarquia, tem tentáculos em todas as capelas políticas, em todas iuniverisdades, todas as artes, etc. Eles têm muita gente anónima que lhes está imensamente grata porque lhes arranjou (a eles ou aos filhos) um emprego no banco, na empresa, etc. O sistema vigora também porque Portugal é o país do COMPADRIO. Têm os autores razão em lembrar os arranjis matrimoniais, como formas de conseguir manter as fortunas mas também existe toda uma influência dispersa, um NEPOTISMO, bem entranhado nos costumes, que diz que... «QUEM NÃO TEM RECOMENDAÇÕES (CUNHAS) NAÕ É RECOMENDÁVEL» (sic!).

Um livro que tive logo curiosidade em ler... ainda não li, mas vou adquiri-lo, mais cedo que tarde.

erros no panfleto: "0,7" não significa "um sétimo de pessoa"; A ETT referenciada é "Randstad" e não "Ramstadt"

A parte dos direitos dos trabalhadores estudantes podia estar mais esclarecedora.

É UM CHEIRO A SUOR QUE CHEGA AQUI. O CHAMADO TRABALHO DE BASTIDORES NAS SOMBRAS E FESTAS

MEDÍOCRE É QUEM NÃO É POR DIREITO PRÓPRIO

como se vê o concorrência e igualdade de circunstancias é gravemente atingida. Como se diz comem todos a mesma mesa dormem nas mesmas camas e depois regulam-se concorrem e controlam-se entre si sem pinga comprometimento pudor ou preconceito completamente isentos... A ELEVAÇÃO DE CARÁCTER DESTA GENTE É INCRÍVEL O CHEIRO A ESTURRO CHEGA A MARTE... esta tudo explicado quando o povo diz que vira o disco e toca o mesmo estou enjoado tudo farinha do mesmo saco etc

Não deixei de reparar, que todos nascem ou vêm de datas perto de 1820, foi numa época mais ou menos distante em 1735, nasceram as duas principais lojas da Maçonaria em França, pela casa de Orleans a loja do Oriente e da casa de Bourbon veio a grande Loja de França, casas estas que derrubaram a monarquia em 1791 em França, em 1792 foi guilhotinado Louis XVI e toda a sua família. Em 1795 vieram os tipos de Napoleão e trouxeram os maçons, que obrigaram o Rei de D. João VI a casar se com uma senhora Bourbon, a casa de Menezes, maçons igualmente, como as casas de Mello, Cadaval, Silveira, Guimarães, Sottomayor, casas estas que em 1821, mudaram de Mãos. As tais casas pertenciam à Inquisição.

Falo bem, casas, nunca foram apelido, o apelido Mello, Menezes e outros eram casas, antes de 5 de Outubro de 1910, isso é muito fácil provar com registos da monarquia. Eu observo muitos misturam alhos com bogalhos, misturam apelidos da republica, com património, dote, foro de rei, quando os significados são totalmente opostos. Não se consegue juntar o que não é possível juntar. É como o azeite e água, ambos são liquidos, mas não se misturam, porquê ? por terem composições opostas e significados opostos

Quando uma família nobre é a soberana de um território, passa a ser denominada de Casa. Exemplo: Rei - Reino - Casa Real + (nome da família), Conde - Condado - Casa Comital + (nome da família), Duque - Ducado - Casa Ducal + (nome da família). Em alguns países, quando uma família membro da nobiliárquica era muito poderosa e importante dentro de um país, mesmo não sendo a soberana, ela também era denominada de Casa. Pois por causa dessa importância, com o tempo ela poderia ascender a chefia, seja por casamentos ou por batalhas. Aos nobres associam-se os títulos nobiliárquicos segundo a importância, prestígio ou ascendência do indivíduo e também os brasões de armas de suas famílias.

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