Num comício na cidade de Aveiro, que abriu com o ator Pedro Lamares a pedir a Marisa Matias que seja a minha/ nossa representante no caminho para uma sociedade mais justa e humana, e com o mandatário António Capelo a recitar a “Procelária” de Sophia de Mello Breyner Andresen, Marisa subiu ao palco para falar de Segurança Social.
"Tirar às pessoas com rendimentos mais elevados, total ou parcialmente, a sua contribuição e tirá-las do sistema, significa criar um sistema de Segurança Social para pobres", criticou, advertindo que "um sistema para pobres será sempre um pobre sistema".
Para a candidata a Belém, trata-se de um modelo que "viola e de que maneira a Constituição da República", que obriga necessariamente à manutenção de um modelo de solidariedade não só social como geracional.
Se for eleita Presidente da República combaterei sempre as campanhas de preconceito e de difamação que têm sido movidas contra prestações de combate à pobreza
Marisa Matias contou que ouviu, em Aveiro, “a frase mais dura de todas as frases”: "quando uma senhora me disse que tinha medo de viver anos demais". Para a candidata "não há anos a mais, o que há é viver com dignidade ou sem ela", sublinhando que "a austeridade é isto. Foram políticas concretas que tiveram consequências muito concretas na vida das pessoas", e assegurou que, se for eleita, “contarão sempre comigo para fazer valer os direitos de quem cá vive".
Assegurou ainda que, "se for eleita Presidente da República combaterei sempre as campanhas de preconceito e de difamação que têm sido movidas contra prestações de combate à pobreza" e, sem referir o nome de Marcelo, garantiu que os seus primeiros gestos serão “com as pessoas mais vulneráveis e com as que lutam mais”.
Sobre a semana de campanha que falta, sublinhou que “está tudo em aberto”, e que acredita que se pode fazer “desta semana mais um dos momentos marcantes das nossas vidas e seguramente um dos momentos que marcam a transformação que estamos a viver em Portugal”, sem fatalidade nem tristeza. Falta uma seman "para mostrar que a esperança não morre em Belém", concretizou.
Luís Fazenda: "O Tratado Orçamental é a bíblia da política de austeridade”
Marisa Matias contou em Aveiro com mais um apoio de peso, Luís Fazenda, que criticou Marcelo Rebelo de Sousa por ter dito que "não queria nenhum referendo sobre o Tratado Orçamental porque isso divide os portugueses". Para o fundador do Bloco de Esquerda, o Tratado Orçamental “é a bíblia da política de austeridade”, mas para Marcelo, algo que aparentemente “terá que passar incólume”.
O comício em Aveiro contou igualmente com intervenções do deputado Moisés Ferreira e do advogado Celso Cruzeiro, e com uma atuação musical de Rui Oliveira.