Tsipras confiante na vitória, comunistas recusam governo de coligação

A secretária-geral do PC grego anunciou esta quarta-feira que a participação num governo com a Syriza significaria a "anulação do seu papel histórico". Tsipras escreveu um artigo no Financial Times sobre o rumo da economia grega onde prevê "uma nova era de crescimento e prosperidade para a Grécia" se a esquerda vencer no próximo domingo.
Aleka Papariga foi eleita secretária-geral do KKE em fevereiro de 1991 meses antes do golpe de Moscovo e da implosão da União Soviética.
Aleka Papariga foi eleita secretária-geral do KKE em fevereiro de 1991 meses antes do golpe de Moscovo e da implosão da União Soviética. Foto paratiritis/Flickr

No artigo publicado esta terça-feira, o líder da Syriza volta a repetir o compromisso de campanha eleitoral de fazer tudo para manter a Grécia na zona euro e relembra as palavras de Barack Obama sobre a necessidade de crescimento da economia. "A necessidade de darmos aos gregos uma oportunidade para o crescimento real e um novo futuro é hoje mais aceite que nunca", afirma Tsipras, que também destaca a necessidade de lutar contra a corrupção instalada pelos dois partidos que têm governado o país nas últimas décadas. "O velho regime do sistema de dois partidos [PASOK e Nova Democracia] está esgotado", anuncia o candidato a primeiro-ministro grego.

O líder da Syriza diz mesmo que o seu movimento "é o único na Grécia que pode trazer estabilidade económica, social e política", uma vez que não carregam o peso da responsabilidade dos partidos que arruinaram o país. Um "governo transparente" com um "plano nacional de reconstrução e crescimento" e uma reforma pela justiça fiscal são as propostas de Alexis Tsipras caso vença as eleições.

Quem já afirmou que não irá participar neste governo de esquerda proposto por Tsipras foi Aleka Papariga, em conferência de imprensa esta quarta-feira. Numa resposta definitiva a quatro dias das eleições, segundo o site Athens News, a mulher que há 21 anos ocupa o cargo de secretária-geral dos comunistas gregos disse que "a participação do KKE num governo com uma linha errónea e sem conseguir confiar naqueles que o integram, significaria a anulação do seu papel histórico".

Papariga acrescentou que a "responsabilidade histórica" do KKE passa pela organização da população "para que não perca tudo" e que a experiência do partido lhe permite lidar com "os altos e baixos" do KKE e do movimento popular. Quanto ao futuro governo, a candidata comunista diz que o partido está preparado para enfrentar "o terrorismo e o medo", se ganhar a Nova Democracia, ou a frustração causada por um governo liderado pela Syriza.

Comentários

O KKE tem-se recusado a coligar-se com a Syriza pois estes últimos andam a prometer "fazer omeletes sem quebrar ovos". Ou seja, pretendem tirar a Grecia da crise e ajudar os trabalhadores, sem verdadeiramente enfrentar os inimigos do povo grego, sem saír do Euro, sem repudiar a dívida, sem enfrentar os mercados, sem expropriar a banca criminosa e os grandes grupos, etc etc.

Basicamente propõe-se a fazer o milagre da multiplicação dos Euros.

A Syriza, com o seu oportunismo quase ingénuo, está assim a cavar a sua sepultura política. Aqueles que se aliarem a esta força e apoiarem as suas propostas vazias, serão politicamente sepultados junto com eles.

O KKE é um corredor de fundo. Não se deixa levar por euforias, (nem pelos desânimos que as seguem), nem por oportunismos, e sobretudo não vende gato por lebre nem promete "socialismos" já alí ao virar da esquina.

O senhor de certeza que não leu o programa do SYRIZA .

O SYRIZA falou abertamente na SOCIALIZAÇÃO da banca ou seja vai acabar com a banca grega e por a mesma ao serviço do povo e não dos interesses económicos .

O KKE é mais um partido Estalinista que quer o poder para si mesmo e instaurar uma ditadura a lá URSS anos 30 altura em que o auge da repressão Estalinista atingiu o expoente máximo .

Ao menos o SYRIZA apresenta medidas para socializar a ecónomia enquanto que o KKE só vejo afirmar a nacionalização das coisas que mais não é que um capitalismo de estado .

Karl Marx queria a socialização dos meios de produção que se traduziam na gestão de uma empresa por um conselho de trabalhadores .
Ora na URSS e outros fantoches tal não aocnteceu e nem surge mencionado no programa do KKE , PCP e outros partidos ditos " comunistas "

ESTE CENÁRIO DO PARTIDO COMUNISTA GREGO, É PURA E SIMPLESMESTE TRISTE.PARA ELES,O QUE LHES INTERESSA SÃO AS PESSOAS OU O SEU PRÓPRIO UMBIGO? SE ELES NÃO GANHARAM, TALVEZ SEJA POR ESTE SECTARISMO.SE PRETENDEM UM NOVO PARADIGMA PARA O PAÍS ,SÓ TERIA DE SE JUNTAR Á SYRIZA PARA XUTAR DE LÁ A TROIKA.SÓ LHES FICARIA BEM. ESPERO QUE ESTE CENÁRIO EM CASO SEMELHANTE, NUNCA ACONTEÇA EM PORTUGAL. HELENA

Eu até gosto dos comunistas, mas acho que eles estão a agir mal ao não fazerem coligação com a Syriza e espero que os verdes e a Esquerda Democrática façam coligação se for necessário para formarem governo maioritário.

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