“O ano de 2011 foi dos melhores da história da Sonaecom, com o atingir de resultados que muito nos orgulham. Para além do crescimento da rentabilidade operacional conseguimos também atingir os lucros mais elevados de sempre", escreveu o CEO da Sonaecom na mensagem que ainda está publicada em destaque no site da empresa. Ângelo Paupério dizia ainda que "nunca é demais realçar o contributo essencial da capacidade de execução da nossa equipa". Esta quarta-feira, anunciou que vai mandar parte dessa equipa para o desemprego.
Em 2011, a Sonaecom - que também é dona da Optimus e outras empresas ligadas ao multimedia - teve um lucro recorde de 62,5 milhões de euros, superando em mais de 50% os do ano anterior, atingindo um volume de negócios de 863,6 milhões de euros, anunciou a empresa em março deste ano.
O plano anunciado em comunicado da Sonaecom passa pela "redução da estrutura de custos em cerca de 3,5 milhões de euros por ano, com a diminuição de custos de funcionamento e previsível saída de 48 colaboradores". Sabe-se já que 36 são jornalistas, incluindo alguns dos nomes que fizeram a história do "Público" como João Ramos de Almeida, Bruno Prata e Carlos Pessoa. O DN avança ainda que as secções locais e da agenda deverão fechar.
O despedimento coletivo deverá ser acompanhado do desinvestimento na edição em papel do jornal, já que o comunicado da empresa aponta "forte tendência de queda de receitas em resultado do efeito de substituição do papel pelo online" como motivo para os cortes.
No plenário efetuado durante a tarde de quarta-feira, os trabalhadores do "Público" discutiram uma moção conjunta do Conselho de Redação e da Comissão de Trabalhadores em que "mandatam os sindicatos para iniciar de imediato um processo de greve e procurar formas de obstar ao despedimento anunciado."
"Este despedimento inviabiliza a continuidade do Público enquanto órgão de comunicação social de referência, viola o espírito do acordo celebrado com os trabalhadores a 29 de Dezembro de 2011, e compromete gravemente a responsabilidade social do accionista", refere a moção.