Soldado israelita e 477 palestinianos foram libertados

18 de outubro 2011 - 23:43

Em Gaza, cerca de 200 mil pessoas reuniram-se na Praça Katiba para receber o primeiro grupo de prisioneiros libertados das prisões israelitas onde cumpriam penas – muitas delas de prisão perpétua.

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Emoção na libertação dos prisioneiros. Foto The Electronic Intifada

O soldado israelita Gilad Shalit foi entregue à sua família no Sul de Israel. Um grupo de 437 palestinianos libertados entrou em Gaza e na Cisjordânia. Consumou-se a primeira parte da troca de prisioneiros entre Israel e a Palestina.

A libertação de um soldado israelita, prisioneiro de guerra há cinco anos em poder das autoridades de Gaza, e a libertação de 1027 cidadãos palestinianos, resistentes nacionalistas acusados de “terrorismo” pelas autoridades de Israel, começou a concretizar-se na terça-feira nos moldes negociados entre o governo de Israel e o Hamas.

Gilad Shalit, o soldado israelita detido quando participava numa invasão do território palestiniano de Gaza, foi entregue à família numa base militar do Sul de Israel. O primeiro ministro, Benjamin Netanyahu, declarou: “Devolvo o vosso filho a casa”. Segundo as sondagens da comunicação social israelita, apesar da grande polémica que envolve esta troca, a maioria da população israelita apoia a decisão de Netanyahu.

“Sinto-me de boa saúde”, declarou Gilad – que tem igualmente nacionalidade francesa – “e espero que esta troca ajude a concretizar a paz entre os dois campos, Israel e os palestinianos”. O médico militar israelita que se deslocou ao Egipto para fazer os primeiros exames a Shalit concluiu que o seu estado de saúde “é bom e satisfatório”.

Em Gaza, cerca de 200 mil pessoas reuniram-se na Praça Katiba para receber o primeiro grupo de prisioneiros libertados das prisões israelitas onde cumpriam penas – muitas delas de prisão perpétua – pela sua alegada participação na resistência nacional e a luta pela independência da palestina – que em Israel corresponde ao crime de “terrorismo”.

Vários responsáveis da região, entre eles o chefe do executivo formado pelo Hamas, Ismail Haniyeh, e um alto responsável militar, Yehia Sinwar, usaram da palavra perante a multidão.

A operação de troca de detidos envolve o soldado israelita Gilad Shalit, de um lado, e 1027 cidadãos de origem palestiniana. A operação de terça-feira envolveu um grupo de 477 palestinianos, 113 com destino a Gaza, 117 com destino à Cisjordânia e 15 a Jerusalém Leste; 204 são considerados “banidos” por imposição de Israel – 164 para a Faixa de Gaza e 40 para o estrangeiro (Turquia, Qatar e Síria). Sete palestinianos com nacionalidade israelita regressarão a sua casas e uma mulher será enviada para a Jordânia, o país do seu passaporte.

Restam 550 palestinianos por libertar, o que, nos termos do acordo, deverá acontecer dentro dois meses, um período de tempo que levanta muitas interrogações sobre o que poderá entretanto acontecer.

A troca decorre num ambiente de grande polémica, sobretudo em Israel, onde o governo de Netanyahu é acusado de ter pago “um preço demasiado alto” pela libertação de “criminosos com as mãos sujas de sangue de judeus”. Outras opiniões acusam Netanyahu de ter dado um novo fôlego ao Hamas, uma tese que tem uma variante: a de que esse terá sido um objectivo do primeiro ministro para criar dificuldades a Mahmmud Abbas depois das suas diligências diplomáticas pelo reconhecimento do Estado Palestiniano na ONU.

Artigo publicado originalmente no site do Grupo Parlamentar europeu do Bloco de Esquerda