Confrontada com as declarações do Ministro das Finanças, esta quinta-feira, que disse que a intervenção do BANIF “dificulta” a saída de Portugal do Procedimento de Défice Excessivo em 2015, Marisa Matias afirmou esperar que “Bruxelas não faça opções ideológicas” e mude “as regras consoante o Governo que está em funções é mais ou menos simpático para aquilo que ditam as regras de Bruxelas”.
Recorde-se que Marisa Matias já havia criticado, no início do ano, a forma de cálculo dos défices, em que o dinheiro dos contribuintes usado para salvar a banca não conta para o cálculo do défice, mas por exemplo, os três mil milhões que faltaram ao serviço nacional de saúde, ou "mil milhões que fosse para matar a fome de quem passa fome em Portugal" já contariam para o cálculo do défice. Marisa criticava assim, os critérios diferenciados estabelecidos por Bruxelas, aparentemente com base em opções ideológicas, usados como “uma absoluta desculpa apenas para continuar a política de austeridade em Portugal”.
Assim, se em nenhum outro país europeu, inclusivé Portugal, no caso do BES, se corrigiu o défice com base nesse tipo de intervenção, Marisa disse não esperar outra coisa senão que “as regras sejam as mesmas”.
"O défice, em outros períodos, em outras alturas, foi calculado a partir das instituições de Bruxelas tendo em conta um conjunto de critérios. Se olharmos para o que se passou com o BES verificamos que houve critérios que foram tidos em conta. Se olharmos para o que se está a passar com o BANIF já vemos que há uma tentativa de alteração das regras", explicou, denunciando que já "está a haver um tratamento muito diferenciado e muito desigual".
A candidata presidencial recordou, igualmente, que Bruxelas e Berlim estiveram “muito confortáveis com oito pedidos de resolução que não foram resolvidos relativamente ao BANIF”, ao deixar “que se arrastasse o problema da responsabilidade do Governo anterior até este Governo” tomar posse.
"A escolha dos portugueses foi acabar com a austeridade e votar em todas as alternativas que existiam em relação a um Governo que trouxe o ciclo de empobrecimento. Bruxelas tem que aprender de uma vez por todas que o que vale é a vontade democrática de quem vive neste país", concretizou.