“Não temos grande expetativa sobre a reunião do Conselho de Estado. À volta daquela mesa estão aqueles que mais responsabilidades têm na situação em que o país está”, afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda aos jornalistas no fim de uma visita à Feira Internacional de Artesanato, em Lisboa.
João Semedo reconheceu que “o Conselho de Estado seguramente não vai ter a posição que o pais necessitava, que era uma posição a favor de uma força política, unida e coesa, determinada para negociar com os credores internacionais uma restruturação da nossa dívida”. Uma das razões para isso é que a maioria dos presentes na reunião marcada para dia 3 de julho tem defendido o Tratado Orçamental europeu, que João Semedo apelida de "lei-quadro da austeridade”.
“É significativo que as vozes a favor da restruturação venham de dentro do FMI”
“O Bloco de Esquerda sempre defendeu a restruturação. A direita, o Governo, a troika e o presidente da República consideram que a dívida se paga impondo aumento de impostos, cortes nos salários e pensões, com austeridade".
Semedo reagiu também ao relatório apresentado por técnicos do FMI a defender que teria sido preferível restruturar a dívida, em vez dos programas da troika na Europa. “O FMI é conhecido por impor as condições mais drásticas nos seus programas e por isso é muito significativo que estas vozes a favor da restruturação venham de dentro do FMI”, afirmou o coordenador bloquista.
“O Bloco de Esquerda sempre defendeu a restruturação. A direita, o Governo, a troika e o presidente da República consideram que a dívida se paga impondo aumento de impostos, cortes nos salários e pensões, com austeridade. Mas quanto mais austeridade temos tido, mais a dívida tem subido”, alerta Semedo, acrescentando que não basta restruturar a taxa de juro ou os prazos, “é preciso restruturar o montante para que esta dívida possa ser sustentável, no sentido de não impedir o crescimento económico e do emprego”.
Para o coordenador do Bloco, “a austeridade é a ideologia do empobrecimento para resolver os problemas do país”. Mas recorda que nem todos em Portugal empobreceram: “Quem trabalha empobreceu, e muito, mas aqueles que vivem da especulação financeira só beneficiaram com a política de austeridade da troika”. “Enquanto todos os sacrifícios forem feitos em nome da dívida, vamos continuar a empobrecer”, concluiu João Semedo.