“Quanto mais austeridade temos tido, mais a dívida tem subido”

29 de junho 2014 - 18:33

João Semedo não acredita que as decisões do Conselho de Estado da próxima quinta-feira venham ao encontro do que o país precisa: uma restruturação da dívida e o fim das políticas de empobrecimento.

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João Semedo diz que "com troika ou sem troika em Portugal", o Bloco vai continuar a insistir na necessidade de restruturar a dívida. Foto Paulete Matos.

“Não temos grande expetativa sobre a reunião do Conselho de Estado. À volta daquela mesa estão aqueles que mais responsabilidades têm na situação em que o país está”, afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda aos jornalistas no fim de uma visita à Feira Internacional de Artesanato, em Lisboa.

João Semedo reconheceu que “o Conselho de Estado seguramente não vai ter a posição que o pais necessitava, que era uma posição a favor de uma força política, unida e coesa, determinada para negociar com os credores internacionais uma restruturação da nossa dívida”. Uma das razões para isso é que a maioria dos presentes na reunião marcada para dia 3 de julho tem defendido o Tratado Orçamental europeu, que João Semedo apelida de "lei-quadro da austeridade”. 

“É significativo que as vozes a favor da restruturação venham de dentro do FMI”

“O Bloco de Esquerda sempre defendeu a restruturação. A direita, o Governo, a troika e o presidente da República consideram que a dívida se paga impondo aumento de impostos, cortes nos salários e pensões, com austeridade".

Semedo reagiu também ao relatório apresentado por técnicos do FMI a defender que teria sido preferível restruturar a dívida, em vez dos programas da troika na Europa. “O FMI é conhecido por impor as condições mais drásticas nos seus programas e por isso é muito significativo que estas vozes a favor da restruturação venham de dentro do FMI”, afirmou o coordenador bloquista.

“O Bloco de Esquerda sempre defendeu a restruturação. A direita, o Governo, a troika e o presidente da República consideram que a dívida se paga impondo aumento de impostos, cortes nos salários e pensões, com austeridade. Mas quanto mais austeridade temos tido, mais a dívida tem subido”, alerta Semedo, acrescentando que não basta restruturar a taxa de juro ou os prazos, “é preciso restruturar o montante para que esta dívida possa ser sustentável, no sentido de não impedir o crescimento económico e do emprego”.

Para o coordenador do Bloco, “a austeridade é a ideologia do empobrecimento para resolver os problemas do país”. Mas recorda que nem todos em Portugal empobreceram: “Quem trabalha empobreceu, e muito, mas aqueles que vivem da especulação financeira só beneficiaram com a política de austeridade da troika”. “Enquanto todos os sacrifícios forem feitos em nome da dívida, vamos continuar a empobrecer”, concluiu João Semedo.