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"Portugal Agrilhoado - A Economia Cruel na Era do FMI"

Em entrevista ao Esquerda.net, Francisco Louçã falou sobre o seu novo livro "Portugal Agrilhoado - A Economia Cruel na Era do FMI".

O livro "Portugal Agrilhoado - A Economia Cruel na Era do FMI" foi lançado na passada quinta-feira, em Lisboa, e contou com a apresentação do jornalista Fausto Coutinho.

Ao longo deste livro, Francisco Louçã denuncia a “campanha impiedosa” contra o salário que constitui uma verdadeira “guerra em que não se consentem tréguas nem se limpam as armas” e na qual “todos os meios são mobilizados”. A Introdução está integralmente disponível aqui.

“O livro parte de alguns textos que foram escritos por alguns liberais, de direita, acerca das dificuldades económicas actuais, como Victor Bento, Medina Carreira, Nogueira Leite”, explica Francisco Louçã em entrevista ao Esquerda.net.

“Todos eles tinham reflectido sobre o significado das medidas de ajuste estrutural de 1983. Tinham dito, até de uma forma candidamente clara, que a política do FMI, com uma longuíssima recessão, tinha resultado. E tinha resultado porque houve uma ‘brutal’ transferência de rendimentos do trabalho para o capital – esta expressão, tal e qual, é utilizada duas vezes por Nogueira Leite”.

“É claro que a estrutura da economia daquela altura era completamente diferente, mas não há dúvidas de que o que hoje é proposto é exactamente o mesmo”, disse Louçã, concluindo: “Portanto, toda a economia cruel baseia-se nesta ideia – se há dificuldades na economia, reduzindo-se os salários consegue-se compor a economia porque a competitividade decorre do pagamento aos trabalhadores”. 

No seu livro Louçã explica como este argumento e falso, nomeadamente indicando que a maioria dos custos das empresas são financeiros e não os que resultam do pagamento de salários. Além disso, Louçã lembra também que se pode verificar que nos países onde foram aplicadas esta políticas de redução dos salários, aumentou o desemprego e, portanto, agravaram-se as dificuldades económicas, fiscais, e o financiamento da Segurança Social.

“Uma economia cruel é isto mesmo. As soluções do FMI são estas, longuíssima recessão, aumento da desconfiança, aumento do autoritarismo político e social e uma desorganização das redes sociais, de compromisso de solidariedade que resultam da responsabilidade social que o Estado tem vindo a criar”, disse.

“Se a política do FMI for aplicada, o que isso quer dizer é que ao fim de uma década nós teremos uma sobra do Estado social: teremos hospitais vendidos, escolas privatizadas, teremos uma parte do sistema de Segurança Social entregue aos privados, teremos o fim dos pilares essenciais que protegem os mais pobres”, concluiu.

Segundo o autor, o livro faz uma apreciação e um levantamento destas teorias, dos seus resultados, dos seus argumentos, a partir dos seus principais defensores, “para se poder construir um inventário do que deve ser uma resposta à esquerda”.

Na entrevista, Francisco Louçã falou ainda sobre as consequências da entrada do FMI na Grécia e na Irlanda e sobre como foi o sistema financeiro que esteve na origem da crise e agora foi o promotor da saída através do pedido de ajuda externa.
 

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