Polícia ataca Assembleia Popular em Lisboa

04 de junho 2011 - 17:20

Cerca de 20 elementos da Polícia Municipal e do Corpo de Intervenção da PSP invadiram este sábado a praça do Rossio e agrediram os cidadãos que preparavam uma Assembleia Popular, marcada para as 19h. A polícia efectuou três detenções. Bloco exige esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna.

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Imagens da "Acampada" de Lisboa logo após as intervenções das forças de segurança.

Segundo relatos de cidadãos presentes no local, 20 elementos da Polícia Municipal e do Corpo de Intervenção da PSP agrediram, à bastonada, e sem qualquer justificação plausível, vários elementos que preparavam uma Assembleia Popular em Lisboa. Foram detidas três pessoas. A primeira detenção foi a de um cidadão que estaria a colocar, como tem sido comum nos últimos dias, uma corda para montar um toldo. O segundo detido estaria, por sua vez, a filmar os acontecimentos, tendo-lhe sido exigida a entrega do seu telemóvel. Os três detidos foram levados para a esquadra.

Aquando a intervenção das forças de segurança, estariam no Rossio já cerca de 50 pessoas, sendo que, por volta das 17h, este espaço já contava com mais de 200 pessoas, sempre sob a vigilância da PSP, que mantém no local duas carrinhas do corpo de intervenção, e da Polícia Municipal.

Os elementos da polícia apreenderam vários materiais, inclusive computadores e máquinas fotográficas.

Luísa Acabado, advogada dos três jovens, entretanto libertados no final da tarde, adiantou que dois deles foram constituídos arguidos e terão que comparecer perante o juiz de instrução criminal na segunda-feira, às 10 horas da manhã. Foram acusados de obstrução à actuação da polícia, acrescentou. O terceiro jovem que foi conduzido à esquadra da Polícia Municipal, na Praça de Espanha, terá sido apenas identificado.

Para segunda-feira está já marcada uma concentração de solidariedade junto ao Tribunal do Campus de Justiça, em Lisboa, às 10h.

O movimento tinha agendado para este sábado, pelas 15h, uma concentração no Rossio com microfone aberto para todos aqueles e aquelas que quisessem intervir. Para as 17h estavam também convocadas reuniões dos diferentes grupos de trabalho e, para as 19h, foi agendada uma Assembleia Popular.

No manifesto aprovado recentemente, o movimento afirma que o que os une e mobiliza é a “a indignação perante a situação política e social sufocante que nos recusamos a aceitar como inevitável”, juntando-se “àqueles que pelo mundo fora lutam hoje pelos seus direitos frente à opressão constante do sistema económico- financeiro vigente".

Bloco exige esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna.

O Bloco de Esquerda já informou, através de comunicado de imprensa, que irá exigir esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna e à Câmara Municipal de Lisboa sobre a actuação policial desta tarde e condenou as apreensões efectuadas, que considera serem “uma clara violação do direito à liberdade de expressão”.