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Petição condena preconceito dirigido às mulheres brasileiras

Num programa de animação emitido pela RTP, a única personagem mulher é uma brasileira retratada como prostituta. Várias ONG's e centenas de cidadãos já assinaram a petição na internet e lembram que "as mulheres brasileiras são constantemente vítimas de diversos tipos de violência em Portugal".
Manifesto condena a forma como os media portugueses têm "construído e reproduzido o estigma de hipersexualidade das mulheres brasileiras"

O manifesto assume dirigir-se à "a comunicação social portuguesa e a forma como, insistentemente, tem construído e reproduzido o estigma de hipersexualidade das mulheres brasileiras". O caso concreto que juntou um grupo de 140 pessoas em torno desta iniciativa é o programa de animação "Café Central" da RTP e em concreto da personagem "Gina". "A personagem é retratada como prostituta e maníaca sexual, alvo dos personagens masculinos do programa. Trata-se de um desrespeito às mulheres brasileiras", diz o manifesto que também é subscrito pela Coordenação Portuguesa da Marcha Mundial de Mulheres, UMAR, Casa do Brasil, entre outras associações.

A petição exige às autoridades competentes "que se faça cumprir a “CEDAW – Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres”, da qual tanto Portugal, como o Brasil, são signatários" e destaca que a situação é agravada "por se tratar de uma emissora pública, a qual em hipótese alguma deveria difundir valores que ferem o direito das mulheres e da dignidade humana".

O manifesto dá outros exemplos de cobertura mediática que reforça um preconceito, como a reportagem do Diário de Notícias na Slutwalk Lisboa ou a da revista Focus sobre as mulheres brasileiras, ou ainda as publicidades do ginásio Holmes Place e da agência de viagens Abreu. "Seja qual for o meio de comunicação utilizado, é constante a representação estereotipada da mulher brasileira como objeto sexual, o que acaba por interferir na forma como as imigrantes brasileiras são percebidas e tratadas dentro da sociedade portuguesa", diz o Manifesto.

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Comentários

Aconselhava, como de resto o tentei fazer com as organizadoras do protesto, a fazer o trabalho de pesquisa. A personagem em questão não é brasileira, apenas o finge ser. De igual forma, a personagem insere-se num leque de personagens que fazem, pelo estereotipo, crítica de costumes à mentalidade portuguesa. A personagem faz, assim, crítica à nossa sociedade (e em muitas formas denuncia o preconceito contra o qual esta petição visa lutar).

O humor baseado na subversão do estereótipo tem raízes fundas. Podemos ir até Gil Vicente, mas temos vários exemplos contemporâneos (Sarah Silverman, Kristen Schaal, Larry Wilmore, p.ex.) que activamente exploram esses preconceitos em tom de denúncia. O próprio Bloco de Esquerda, terá muitas vezes usado esse humor caricatural nas suas acções de campanha. Que se apoie uma petição cuja ideia subjacente é a censura do humor, parece-me um tanto descabido, irónico até, quando essa personagem é uma denúncia cabal dos pontos válidos do manifesto.

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