A periferia da Europa é hoje o laboratório da expressão mais cruel do liberalismo e, para derrotar a política da troika, a esquerda europeia tem que ser capaz de atacar o coração da ofensiva liberal na Europa, derrotando Merkel e vencendo na Grécia, defendeu o coordenador bloquista.
Para Francisco Louçã, que discursou este domingo no último dia do 3º congresso do Die Linke, não é por acaso que foi nestes países que a esquerda europeia viveu os momentos mais marcantes nos últimos anos. A constituição da Frente de Esquerda, em França, e o impressionante resultado da sua candidatura presidencial, a convergência de diversas gerações de activistas no Die Linke, na Alemanha, e a possibilidade da vitória da Syriza na Grécia.
"Portugal, Grécia, Irlanda e, dentro de pouco tempo, Espanha, são o laboratório da expressão mais cruel do liberalismo. Se o desemprego aumenta, a troika diz-nos que a solução é diminuir ainda mais um salário mínimo que está nos 485 euros e facilitar os despedimentos", disse o coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda.
Durante dois dias, os 570 delegados reunidos em Göttingen, elegeram a nova direção de um movimento que teve 11,9 por cento nas últimas eleições legislativas na Alemanha. Katja Kipping e Bernd Riexinger são os dois novos co-presidentes, assumindo a lideranca depois de um ciclo de eleições regionais aonde o partido de Merkel foi coleccionando derrotas históricas. A um ano das eleições legislativas, e quando são já visíveis os sinais de precariedade laboral e o crescimento da contestação social, o Die Linke ("a esquerda") pretende reforçar o seu peso na sociedade alemã para derrotar Merkel.
Em declarações à Lusa, no fim do Congresso, Louçã disse que na Alemanha "sente-se pela primeira vez o medo de um abalo financeiro, principalmente pelas situações da Grécia e da Espanha e pela perceção de como Angela Merkel é intransigente e trata até o novo presidente francês, François Hollande, como se fosse um criado de quarto". Para além da quebra das exportações que resulta da crise noutros países europeus, Louçã entende que a economia alemã "começa a sofrer por estar a substituir milhões de empregos fixos por trabalhos muito precários, temporários e mal remunerados".