Passos agradece à troika por ter reduzido nível de vida dos portugueses

12 de fevereiro 2014 - 19:03

No mesmo dia em que o Eurostat prevê um aumento de quase 10% da dívida pública em 2014, o primeiro-ministro congratulou-se por ver hoje o país "a viver mais de acordo com as possibilidades da nossa economia" e agradeceu à troika pela nova realidade.

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Após dois anos de empobrecimento, Passos diz-se satisfeito por ter posto o país a viver de acordo com as suas possibilidades. Foto Miguel A. Lopes/Lusa

A cerimónia dos 50 anos da fábrica Mitsubishi foi o palco para Passos Coelho fazer mais um balanço positivo da ação do Governo e do memorando da troika. Citado pela agência Lusa, o primeiro ministro agradeceu “o apoio da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional” e acrescentou que «ao contrário do que acontecia no passado, estamos hoje a viver mais de acordo com as possibilidades da nossa economia".

"Queremos, naturalmente, alargar a base da nossa economia e obter dentro de pouco tempo uma possibilidade de crescimento ainda mais intensa para que a economia remunere melhor os seus factores e a sociedade", acrescentou o primeiro-ministro que conseguiu o maior aumento do desemprego e da emigração em Portugal, tirando ao mesmo tempo uma fatia substancial do rendimento aos funcionários públicos, reformados e ao resto da sociedade que recorre a serviços públicos mais caros nos transportes, educação e saúde.

No seu elogio da austeridade para quem trabalha, Passos diz que as medidas da troika foram "indispensáveis para podermos dizer agora que estamos a desalavancar a economia" e que "o problema de endividamento múltiplo das famílias, empresas, e Estado, não teria sido possível sem a solidariedade da União Europeia e FMI". O facto da dívida pública ter disparado nos últimos dois anos e de esta quarta-feira ter sido notícia que o Eurostat aponte para um aumento adicional de cerca de 10% em 2014 foi ignorado por Passos Coelho no seu discurso.

Passos: "Austeridade é para continuar"

O alívio do défice nos últimos anos também foi enaltecido no discurso do primeiro-ministro, não se referindo às privatizações, cortes de salários e pensões e outras medidas extraordinárias que contribuíram para essa redução. Mas Passos mostrou estar consciente da artificialidade dos números do défice e prometeu que "a persistência da disciplina orçamental terá de ser permanente". 

"Temos de reduzir o stock de dívida, pagar menos juros e libertar a economia, famílias e empresas, para terem mais poupanças e investirem mais no futuro", declarou o primeiro-ministro, um dia depois de ter comprometido o país a pagar 5,12% de juros a dez anos numa emissão de dívida no valor de 3 mil milhões de euros. O juro pago por Portugal voltou a aproximar-se do da Grécia, avaliado em 7,2%, o valor mais baixo dos últimos três anos.