No relatório divulgado esta terça feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que a economia portuguesa se contraia 1,8% em 2013, mais do que a queda de 1,6% prevista pelo Banco de Portugal (BdP) e quase o dobro do recuo de 1% anunciado pelo governo português e pela troika. O défice será de 5,2% em 2012 e, em 2013, ascenderá a 4,9%, contra os 4,5% previstos pelo governo.
A OCDE alerta ainda para o facto de, tal como já adiantou o executivo do PSD/CDS-PP, o desemprego vir a atingir um novo máximo histórico no próximo ano. Segundo este organismo, a taxa de desemprego ascenderá aos 16,9%, contra os 16,4% avançados pelo governo, e em 2014 fixar-se-á nos 16,6%, uma percentagem superior em 0,7% à anunciada pelo executivo do PSD/CDS-PP.
No ano que vem, o consumo deverá cair 3,5%, ao contrário dos 2,2% previstos pelo governo de Pedro Passos Coelho, sendo que, em 2014, se deve manter negativo, quando o executivo prevê uma ligeira recuperação.
O cenário poderá ainda voltar a agravar-se, segundo sublinha a OCDE, visto que a economia portuguesa "continuará sensível a novas deteriorações nas condições de crédito e das economias de outros países do euro".
Para a OCDE, as metas para o défice de 2013 e 2014, impostas pela troika, só serão cumpridas com recurso a novas medidas de austeridade, para além do corte da despesa pública em mais quatro mil milhões de euros já anunciado pelo governo de maioria.
Ainda que a OCDE defenda que a consolidação "deve continuar a ser a prioridade" das políticas económicas de Portugal, adianta que não deve haver uma obsessão com o cumprimento das metas para o défice.
"O governo deve procurar reduzir os défices estruturais como planeado [mas] permitindo que os estabilizadores automáticos atuem, caso o crescimento [económico] fique abaixo do esperado", lê-se no documento.
Economista da Deloitte e do ISEG preveem contração da economia até 2,6%
Os economistas do Budget Watch 2013, do ISEG e Deloitte, apontam para uma contração ainda mais acentuada da economia portuguesa no próximo ano, que se fixará, segundo os mesmos, entre 2,2% e 2,6%.
Segundo o economista e professor do ISEG Miguel St. Aubyn, o cenário macroeconómico do OE2013 "não é compatível com o agravamento fiscal que se vai verificar e com aquilo que são as perspetivas de futuro das famílias e das empresas".
Os economistas realçam ainda a falta de transparência, o rigor e a análise de sensibilidade da proposta de Orçamento do Estado para 2013 (OE'2013).
"Era esperado que no OE2013 houvesse uma clareza sobre o que vai acontecer a empresas em privatização como a TAP, CTT, ANA ou RTP em termos de fluxos financeiros", afirmou Paulo Trigo Pereira, também do ISEG, durante a apresentação dos resultados do Budget Watch 2013, acrescentando que "este tipo de informação é fundamental".
Para Paulo Trigo Pereira, e perante a falta de credibilidade das previsões do OE2013, os próximos cenários macroeconómicos devem passar a "ser discutido com economistas, com o Banco de Portugal, com o INE e com universidades".
Citigroup: Portugal terá que prolongar programa de financiamento
Conforme adianta o Citigroup, Portugal terá de prolongar o programa de financiamento externo, na medida em que não será possível um regresso integral aos mercados em 2014.
"Há muito que defendemos que a trajetória orçamental de Portugal e Irlanda é insustentável", avança o Citigroup no comunicado emitido esta segunda feira.
"Em ambos os casos [da Irlanda e de Portugal], esperamos extensões dos programas de resgate existentes", referem os analistas norte americanos.
A "fadiga causada pela austeridade está a crescer rapidamente", salienta o Citigroup, que prevê uma contração de 4,6% do produto interno bruto português (PIB) em 2013 e de 2,4% em 2014 e aponta que a dívida pública deverá aumentar para um valor equivalente a 140% do PIB até 2014.
O conglomerado financeiro internacional prevê que Espanha e Itália também terão de contrair um empréstimo junto da troika.