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“O machismo mata”, gritou-se em Lisboa

Centenas de mulheres marcharam ao final da tarde desta quarta-feira em Lisboa, denunciando a violência de género e gritando “O machismo mata, quebra o silêncio!”.
5ª Marcha pelo Fim da Violência contra as Mulheres, Lisboa 25 de novembro de 2015 – Foto de Mário Cruz/Lusa

A ação partiu às 18.15 do Terreiro do Paço em direção ao Rossio, em Lisboa. A marcha, que foi convocada por diversas associações, era predominantemente composta por mulheres, mas tinha também muitos homens a participar.

Entre as palavras de ordem mais gritadas destacam-se “O machismo mata, quebra o silêncio”, “Contra a violência, quebra o silêncio”, “Machismo também é terrorismo” e “Violência sexual, indignação geral”.

Muitas manifestantes empunhavam cartazes onde se podia ler: “Pelo fim da violência contra as mulheres, quebra o silêncio”, “Chega de violência machista”, “Violência no namoro e no casamento é crime, denuncia”, “Terrorismo é também o que vivemos em nossas casas” e “Chega de violência machista”.

Ao longo do percurso da marcha, um grupo de jovens fez representações cénicas de episódios de violência doméstica.

No manifesto da “marcha pelo fim da violência contra as mulheres 2015”, que pode ler na íntegra abaixo, refere-se que: “A violência exercida contra as Mulheres tem por base fatores estruturais, históricos e culturais que lhe conferem o significado político de mecanismo social pelo qual as Mulheres são forçadas à subordinação em relação aos homens”. O manifesto apela: “Pela eliminação da violência contra as Mulheres, quebra o silêncio!”

A marcha foi convocada por muitas organizações (ver a lista abaixo), entre as quais a UMAR, a Plataforma Maria Capaz e a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres.

No final da marcha, intervieram Lina Lopes, Rita Ferro Rodrigues e Ana Cansado.

Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres 2015 | Manifesto

(disponível na página do evento no facebook)

Pela eliminação da violência contra as Mulheres, quebra o silêncio!

A violência contra as Mulheres, em todas as suas formas, é uma violação grave dos direitos humanos das Mulheres. É, ainda hoje, dos crimes mais praticados em todo o mundo, com consequências devastadoras para a saúde, bem-estar e vida das Mulheres.

Quebremos o silêncio!

A violência exercida contra as Mulheres tem por base fatores estruturais, históricos e culturais que lhe conferem o significado político de mecanismo social pelo qual as Mulheres são forçadas à subordinação em relação aos homens. A Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e Combate à Violência Contra as Mulheres e a Violência Doméstica, vulgo Convenção de Istambul, afirma que a violência atinge de forma desproporcionada as Mulheres, pelo que a violência de género representa a forma mais extrema da desigualdade global e sistemática vivida por Mulheres e Meninas.

A consciência deste facto, e de que ele constitui um atentado aos direitos humanos a que nos devemos opor firmemente, impele Movimentos de Mulheres, Movimentos Sociais, Parlamentos e Estados, à definição de estratégias e ações para lhe pôr termo. Juntas e juntos, quebramos o silêncio!

A Assembleia Geral das Nações Unidas oficializou em 1999, o 25 de Novembro como o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Desde então este dia é assinalado como um dia de reconhecimento, luta e resistência que apela:

  • Ao questionamento da cultural patriarcal e sexista que discrimina as Mulheres e legitima a continuação dessa violência!
  • À exigência e construção de uma cultura de prevenção da violência contra as Mulheres e de efetiva igualdade de género!
  • À participação de todas e de todos, da sociedade no seu conjunto, e a uma responsabilidade e envolvimento coletivo no combate à violência contra as Mulheres!

Com esta Marcha quebramos o silêncio e gritamos alto para que todas e todos sejam agentes de mudança no combate à violência contra as Mulheres. Queremos combater as causas desta violência, exigimos a eliminação das discriminações e a transformação das mentalidades que legitimam a sua perpetuação. E entendemos ser imperativo pôr fim a estes crimes - fim à violência doméstica, à violência sexual, à violação, ao assédio sexual, ao assédio moral, ao tráfico de mulheres, aos chamados “crimes de honra”, aos casamentos forçados, à mutilação genital feminina e ao femicídio.

Neste 25 de Novembro, as organizações subscritoras convidam as demais organizações e toda a sociedade à ação pela Eliminação da Violência contra as Mulheres e a quebrar o silêncio em torno de todas as formas de violência. Porque juntas e juntos, quebramos o silêncio exigindo melhor justiça, mais oportunidades e a igualdade.

Juntas e juntos, levantamos a voz porque acreditamos num outro mundo: num mundo livre da violência contra as Mulheres!

Subscrição do Manifesto de apoio à Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres

(disponível na página do evento no facebook)

Organizações:

Aliança para a Democracia Paritária - ADP

Amnistia Internacional Portugal

Associação Corações com Coroa

Associação de Mulheres contra a Violência - AMCV

Associação Mulher Séc. XXI

Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas – AMUCIP

Associação para o Planeamento da Família – APF

Associação Portuguesa de Apoio à Vítima – APAV

Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres – APEM

Associação Portuguesa de Mulheres Juristas - APMJ

Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto

Bloco de Esquerda

Caixa De Mitos - Agência Para a Inovação Social

Casa do Brasil de Lisboa

Comissão de Mulheres da União Geral de Trabalhadores – UGT

Comissão de Juventude da União Geral de Trabalhadores - UGT

ComuniDária

Conselho Nacional de Juventude – CNJ

CooLabora, CRL - Consultoria e Intervenção Social

Departamento para os Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa – CML

EOS - Associação de Estudos, Cooperação e Desenvolvimento

Escola Profissional Agostinho Roseta

Espaço das Aguncheiras – Cooperativa Cultural

Graal

Grupo de Teatro do Oprimido de Lisboa – GTOLx

ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero

Marcha Mundial das Mulheres Portugal

Mén Non – Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe em Portugal

MOA - Meninas de Odivelas – Associação

Mulheres Social Democratas - Lisboa

Não te prives - Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais

OIKOS – Cooperação e Desenvolvimento

P&D Factor - Associação para a Cooperação sobre População e Desenvolvimento

Plataforma Maria Capaz

Plataforma Portuguesa das Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento

Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres - PpDM

Rede de Jovens para a Igualdade

Seres (con) viver com o VIH

União de Mulheres Alternativa e Resposta – UMAR

Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres 2015 | ESQUERDA.NET

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