Nota dos deputados europeus do Bloco de Esquerda

21 de junho 2011 - 14:39

Marisa Matias e Miguel Portas divulgaram a sua posição sobre a decisão do eurodeputado independente Rui Tavares de abandonar a delegação do Bloco e o grupo parlamentar europeu GUE/NGL, e de passar a integrar o grupo dos Verdes europeus. O líder parlamentar dos Verdes europeus, Cohn-Bendit, esclareceu que Rui Tavares já havia comunicado a sua decisão na semana passada.

PARTILHAR
"Registamos a desproporção entre o motivo invocado e a consequência política da decisão", dizem Marisa Matias e Miguel Portas

Rui Tavares, independente que foi eleito em 2009 para o Parlamento Europeu nas listas do Bloco de Esquerda, enviou nota à imprensa dizendo que perdeu a “confiança pessoal e política no coordenador nacional” do Bloco, tornando-se assim “impossível” continuar integrado na delegação bloquista, pelo que passou à condição de independente integrado no grupo dos Verdes europeus.

Rui Tavares terá garantido que contactou pela primeira vez o grupo dos Verdes na segunda-feira, contudo, o líder parlamentar dos Verdes europeus Daniel Cohn Bendit esclareceu que o eurodeputado já lhe havia comunicado a sua decisão na semana passada e que "há meses" que havia "conversas" nesse sentido.

Em reacção ao comunicado de Rui Tavares, os dois eurodeputados do Bloco divulgaram a seguinte nota:

Os dois deputados europeus do Bloco de Esquerda, Marisa Matias e Miguel Portas, foram hoje informados pelo seu colega de delegação, Rui Tavares, sobre a sua decisão de abandonar a delegação do Bloco e o grupo parlamentar europeu a que pertence, o GUE/NGL.

A razão invocada pelo eurodeputado independente Rui Tavares foi a da divergência pessoal com o coordenador da Comissão Política do Bloco, Francisco Louçã.

Tratando-se de uma decisão individual, registamos a desproporção entre o motivo invocado e a consequência política da decisão.

Em 2009, a lista do Bloco ao Parlamento Europeu (PE) apresentou-se com um programa eleitoral e com o acordo de integração no grupo parlamentar da Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Nórdica Verde, o GUE/NGL.

Ao longo dos dois anos de trabalho conjunto no PE foi sempre integralmente respeitada a liberdade de voto dos deputados eleitos pelo Bloco (aliás, como acontece no GUE/NGL com todos os deputados relativamente a todas as matérias).

Respeitando a decisão de Rui Tavares, continuaremos a assumir todos os nossos compromissos e a trabalhar para a convergência das esquerdas na Europa.

Marisa Matias

Miguel Portas