Cláudia Cabrita e Marco Marques, dois ativistas que integram a direção recém-eleita, apresentaram a associação, na sessão que juntou quase uma centena de pessoas e que contou também com as intervenções de São José Almeida (jornalista), Paulo Raposo (professor e ativista social), Luís Pacheco Cunha (CENA Sindicato), Romana de Sousa (APRA - Associação das Profissionais do Regime de Amas) e Nuno Almeida Alves (investigador CIES-ISCTE).
Os Precários Inflexíveis pretendem criar “um espaço de intervenção mais amplo e aberto através da criação de uma associação nacional de trabalhadoras e trabalhadores precários”, “intervindo em conjunto com os sindicatos e os movimentos sociais”, afirmou Cláudia Cabrita. Com a associação querem juntar “quem defende os direitos no trabalho”, adquirir “maior capacidade de ajudar as pessoas nos seus locais de trabalho”, “potenciar todas as lutas pelo direito ao emprego com direitos”, e “apoiar quem hoje se sente isolado ou em situação de desemprego, quem não quer lutar sozinho”, completou.
“Todos poderão inscrever-se na nova associação”, disse a ativista, anunciando para já dois núcleos de intervenção, um em Lisboa e outro no Porto.
Nesta nova fase, a associação-movimento renova o seu compromisso “com uma luta decidida, procurando associar pessoas em situação precária em todo o país”, afirmam os precários em comunicado. “O combate à precariedade no trabalho e na vida é hoje mais importante que nunca: o isolamento e a precarização de milhares de pessoas é o elemento decisivo do projecto para um regime social baseado na ausência de direitos, no sub-emprego, na ameaça permanente do desemprego e nos baixos salários”, explicam.
Este novo regime social é o da austeridade, afirmou Marco Marques, na intervenção que fechou a sessão pública. O ativista dos Precários Inflexíveis chamou ainda a atenção para o problema da subcontratação que “ameaça o Sistema Nacional de Saúde”, referindo-se aos médicos e enfermeiros subcontratados por Empresas de Trabalho Temporário (ETT).
Neste contexto, a associação de combate à precariedade lançará muito brevemente um guia de direitos para os trabalhadores temporários. Marco Marques anunciou assim uma das primeiras ações da nova organização, indicando que será posta em prática uma campanha contra o flagelo do trabalho temporário que afeta meio milhão de pessoas. “É preciso denunciar o negócio das ETT's”, afirmou.
A sessão pública deu lugar a um concerto e ao convívio, e para a noite está prevista uma festa no mesmo local.