Milhares de desempregados marcharam para Madrid

22 de julho 2012 - 0:33

O protesto nasceu nas redes sociais e acabou por juntar milhares de desempregados de todo o país vizinho. À sua espera estavam milhares de madrilenos em protesto contra os cortes anunciados pelo governo de Mariano Rajoy.

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Foto Shooting Paradise/Flickr

Vieram de Barcelona, Aragão, Córdoba e de outras cidades a centenas de quilómetros da capital espanhola. Este sábado chegaram finalmente ao destino, ao fim de um mês de caminhada, com o país mergulhado na maior onda de protestos dos últimos anos. Com os juros da dívida a baterem recordes sucessivos e o fantasma do resgate da troika a assombrar o Palácio de Moncloa, Mariano Rajoy e os seus principais ministros fizeram questão de tirar o fim de semana de férias, longe da vista da população que exige a demissão do Governo.



A pé e de autocarro, milhares de desempregados convergiram para o centro da cidade, apoiados por centrais sindicais e pelo movimento 15-M, que até disponibilizou uma orquestra para animar os marchantes. "Estamos fartos que nos fodam a vida", lia-se na faixa que encabeçava o protesto dos desempregados galegos e asturianos, numa referência às palavras da deputada conservadora Andrea Fabra - que em pleno plenário parlamentar foi apanhada pelas câmeras de tv a gritar "que se fodam!" quando o primeiro-ministro anunciava mais cortes para os desempregados.



"Que a próxima desempregada seja Andrea Fabra" foi uma das palavras de ordem que mais se ouviu nos últimos dias, a par de "Temos solução: banqueiros para a prisão", a propósito do resgate milionário à banca anunciado como uma grande vitória de Rajoy em Bruxelas, mas que os espanhóis logo perceberam que seriam eles a pagar a conta.



Também este sábado, milhares de galegos concentraram-se em Santiago de Compostela, dizendo-se enganados pelos bancos que lhes venderam "participações preferentes", obrigações de dívida dos bancos sem prazo definido e remuneradas consoante os resultados. Antes da crise, o rendimento destas obrigações rondava os 7%, mas agora toda a gente se quer desfazer delas e enfrentam grandes dificuldades. O diário El Mundo dá o exemplo dum empresário que investiu 36 mil euros nestas obrigações e quando as ia levantar descobriu que no contrato que assinou estava escrito que o prazo terminava no ano 3000, ou seja, daqui a 988 anos.



Alguns bancos estão a propor a troca destas obrigações por ações - também elas em queda livre nos últimos meses - e só na Galiza há 43 mil depositantes defraudados pelo Nova galicia Banco e mais 30 mil noutras instituições financeiras. Todos se queixam de só agora terem sabido dos prazos perpétuos destas obrigações. "Chamam-lhe crise, mas é uma fraude" foi um dos slogans mais ouvidos neste protesto, que voltou a pedir penas prisão para os banqueiros que enganaram os depositantes.