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Mediterrâneo: Cresce oposição ao barco da extrema-direita que ataca migrantes

Nas duas margens do Mediterrâneo cresce o movimento cívico contra a ação criminosa do barco da extrema-direita Defend Europe, que ataca migrantes e quer impedir que sejam resgatados.
Imagem da campanha contra o barco da extrema-direita Defend Europe da organização Hope no Hate.
Imagem da campanha contra o barco da extrema-direita Defend Europe da organização Hope no Hate.

O Esquerda.net já tinha revelado as intenções da organização de extrema-direita “Geração Identitária” de comprar um barco para impedir o resgate de refugiados. A organização de extrema-direita juntou 170 mil euros, adquiriu o barco C-Star e começou os seus ataques contra os migrantes no Mediterrâneo, na última semana do mês de julho. O barco com mais de 40 metros de cumprimento traz 12 pessoas a bordo e foi batizado de Defend Europe.

O grupo de extrema-direita e anti-imigração começou a sua atividade com o objetivo de bloquear as acções de organizações como a SOS Mediterrâneo e os Médicos Sem Fronteiras (MSF), que realizam missões de salvamento. O grupo xenófobo acusou ainda esta semana de a organização Save the Children de estar a apoiar o tráfico humano, quando tenta resgatar migrantes menores dos botes que andam à deriva nas águas do Mediterrâneo.

O Defend Europe está, contudo, a  ter a oposição de várias organizações dos dois lados do Mediterrâneo, que reagiram indignadas à presença do navio e as suas acções. O Defende Europe é acusado de violar o direito internacional, ao obrigar os botes que estão em águas internacionais a retornar à costa africana.

Logo na partida para o mar, a embarcação Defend Europe foi obrigada a interromper o trajeto e a ancorar, devido a questões de segurança e falta de documentação. 

De acordo com o jornal The Independent, o comandante do navio também terá falhado a entrega de uma lista completa dos tripulantes. O navio da organização extremista tinha iniciado a viagem em Djibouti, pequena república africana, que faz fronteira com a Eritreia, a Etiópia e a Somália - e encaminhava-se para Catânia, na Sicília. 

Na cidade de Catânia, a organização cívica Avaaz bloqueou, no dia 29 de julho, o acesso ao porto, com cerca de vinte barcos que se reuniram para exigir que as autoridades impeçam o acesso do navio da xenofobia. O presidente da Câmara da cidade da, Enzo Bianco juntou-se aos protestos dos ativistas anti-racistas das organização Avaaz e Hope no Hate.

Esta segunda-feira, o jornal The Guardian noticiou que um grupo de pescadores tunisinos impediu que o navio dos extremistas atracasse no porto de Zarzis.“É o mínimo que podemos fazer tendo em conta o que está a acontecer no Mediterrâneo. Muçulmanos e africanos estão a morrer”, disse um dos pescadores à agência AFP.

A organização não-governamental tunisina Fórum dos Direitos Económicos e Sociais apelou ainda ao Governo para que não autorize o reabastecimento do navio em qualquer porto da Tunísia, apelidando a tripulação de “racista e perigosa”.

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