Manolis Glezos cumpriu esta quarta-feira o último dia mandato de um ano a que se tinha comprometido. Com Alexis Tsipras a discursar no Parlamento Europeu, Glezos também interveio para defender o primeiro-ministro grego dos ataques dos eurodeputados da direita e deixar um aviso "aos que sonham afastar a Grécia da Europa": "A Europa nasceu na Grécia e não a vamos largar", afirmou Glezos, antes de ser aplaudido de pé por muitos deputados.
Na terça-feira, o debae foi sobre o rescaldo do refrendo grego. Depois das ameaças do presidente do Parlamento Europeu sobre os gregos não terem produzido o efeito desejado por Martin Schulz, o candidato derrotado dos socialistas à Comissão teve de ouvir uma lição de democracia por parte do herói da resistência grega ao nazismo.
Glezos recitou em grego antigo o verso de “As Suplicantes”, de Eurípedes, com a resposta de Teseu, o rei de Atenas, ao enviado de Creonte, rei de Tebas, que lhe perguntara “onde está o tirano da cidade”:
Antes de mais, começaste o discurso por uma falsidade, estrangeiro,
ao procurar um tirano em Atenas que não está sob a chefia
de um só, mas é uma cidade livre.
O povo governa, alternadamente, por rotações
anuais. Neste país ao rico não se concedem
privilégios e o pobre goza de iguais direitos.
“Escolhi este verso em grego antigo e uma citação em latim que acredito que o presidente Martin Schulz conhece bem: Timeo hominem unius libri”. A citação de São Tomás de Aquino – “Temo o homem de um só livro” – com que Glezos terminou o discurso, foi vista como uma crítica ao pensamento único austeritário que domina os corredores do poder em Bruxelas e Berlim, mas também como uma referência à antiga profissão de Schulz quando ganhava a vida como livreiro…