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“Se gostaste do 12 de Março, faz o teu 5 de Junho”

No discurso de encerramento da VII Convenção do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã faz apelo directo aos eleitores do PS, do PSD e do CDS, e em especial aos jovens, e sublinha que só um governo de esquerda pode defender o emprego e derrotar a bancarrota.
Foto de Paulete Matos.

Francisco Louçã começou por afirmar que o Bloco de Esquerda sai desta convenção mais organizado, mais determinado, com mais clareza e propostas. E sobretudo com mais garra, que “vamos buscar aos movimentos sociais”, destacando mais uma vez a manifestação da “geração à rasca”, de 12 de Março.

O coordenador do Bloco reafirmou que a escolha, na democracia, não é na reunião do Ecofin da semana que vem, não é Barroso nem Strauss-Khan que a vão fazer, mas sim as eleições de 5 de Junho. “Repitam todos os dias: quem decide somos nós!”

O objectivo do Bloco nestas eleições, assumiu Louçã, é eleger mais deputados que os 16 eleitos nas últimas eleições. O coordenador do Bloco adiantou as prioridades do programa eleitoral que será levado a público agora que a convenção terminou. A primeira será a criação de emprego, a que se seguirão a reforma fiscal, a soberania agro-alimentar, a luta contra a corrupção, a defesa dos Serviços Públicos e particularmente do SNS, e com um destaque especial à defesa da banca pública. Sobre esta, Louçã recordou que José Sócrates defende a privatização dos seguros da Caixa Geral de Depósitos, e Pedro Passos Coelho a privatização parcial do banco público. “A diferença é que um privatiza 1/3 e o outro metade da CGD”, apontou.

Um que um governo de esquerda irá fazer, em contrapartida, é desenvolver a banca pública, garantiu.

Sobre o Serviço Nacional de Saúde, Louçã apontou a contradição de José Sócrates, que diz defendê-lo mas está a tirar cerca de 300 euros a cada contribuinte em cortes de gastos com o SNS, em redução de comparticipações, etc. “Sócrates diz o que não faz e faz o que não diz”, ironizou Louçã.

O mesmo acontece com a garantia de Sócrates de que não haverá cortes de subsídios de férias e de Natal. É que com o congelamento de pensões e salários e o aumento da inflação e da carga fiscal, as pessoas vão perder os dois subsídios de forma indirecta, garantiu Louçã, apresentando detalhadamente as contas.

O coordenador do Bloco recordou que a Irlanda, que assinou o acordo com o FMI e UE, já está a renegociar os juros. E que a Grécia, um ano depois da assinatura de acordo semelhante, está com juros de 24%, a dívida está maior e o défice é de 10%.

Citando António Nogueira Leite, Louçã mostrou que até a direita reconhece que os pobres vão ficar mais pobres com o acordo. Nogueira Leite disse há pouco tempo que “o primeiro acordo de Portugal com o FMI, há 28 anos, significou uma brutal transferência do factor trabalho para o factor capital”.

Louçã terminou com apelos aos eleitores do PS, e até do PSD e do CDS, e um apelo em especial aos jovens: “Se gostaste do 12 de Março, faz o teu 5 de Junho”, em mais um apelo aos participantes da manifestação da “geração à rasca”.

E terminou regatando a ideia da “esquerda grande” e defendendo a necessidade de um novo 25 de Abril.

 


Ver fotogaleria da VII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda.

Sessão de encerramento da VII Convenção do Bloco Esquerda

Comentários

Dr. Francisco Louçã,

Venho-lhe recomendar este livro da editora Clube do Autor “23 Coisas que Nunca lhe Contam sobre a Economia” de Ha-Joon Chang.
Todos os políticos o deviam ler, é que talvez passassem a ouvir o Dr. Louça com mais atenção.

Um grande Abraço

Leonel

Não me levem a mal!!! Mas, se assim fosse, há muito k a esquerda deveria estar unida!!!
Nem agora, com o FMI e o BCE no País, conseguiram fazer o 1º de Maio junto!!!
Como poderemos ser crediveis para os anti-esquerdista e ñ só, quando ñ nos conseguimos unir, nem no Dia do Trabalhador?!?!
Palavras e boas intenções, leva-as o vento!!!
Queremos acções e ñ mais, promessas e palavras vãs pois, este Povo, já demonstrou nos seu mais de 800 anos de história k é capaz de mudar nem k seja o Mundo!!
Os politicos e os gestores, é k têm denegrido a imagem deste Povo num
"País à beira Mar plantado" k tudo fará para ter a dignidade k merece!!
Tenham dó e, deixem de ser como os demais, hipócritas e ganâncios e sejam crediveis para k nas Empresa os Trabalhadores tenham em quem acreditar!!!
E O POVO PÁ!!!!

A MINHA DÚVIDA TEM POR LIMITE O APARECIMENTO PÚBLICO DO LÍDER DESTAS
GERAÇÕES PRECÁRIAS QUE SOMOS TODOS !!!
SE TODOS SOMOS PRECÁRIOS
QUE ESPERAM OS LÍDERS DESTE POVO PARA SE JUNTAREM A NÓS?

Para fazer a Esquerda grande é necessário que acabem os comentários radicais que só afastam eleitorado. O mal que um tal Gil ,que não conhecia, Luis Fazenda, Major Tomé, ao contradizerem na SIC durante a convenção em directo o Dr. Louçã acerca de uma hipotética participação num governo foi grave. Grave porque muitos dos eleitores do Bloco esperam que com o seu voto seja possível que cheguem ao poder. Certo que não pode ser a qualquer preço e com Sócrates muito menos, mas não podem dar uma imagem de radicalismo arcaico que só destrói o que já foi conseguido.

Penso eu com os meus botões que seria sensato um discurso pela positiva, tal como...Se concordarem com as nossas propostas estaremos prontos a unir-mos com quem queira ajudar o País a renascer de novo.

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