Nesta quarta-feira, a partir das 8 horas da manhã, o Bairro do Nicolau nas Fontainhas no Porto, foi cercado por um elevado contingente de elementos da PSP, da polícia municipal e de outros técnicos municipais e os seus moradores começaram a ser despejados, por ordem do executivo municipal do Porto.
A Câmara do Porto argumenta que naquele bairro não existem condições de habitabilidade e de segurança.
Fernando Matos Rodrigues, professor de arquitetura, especialista de formas de habitação tradicional do Porto e que estuda o Bairro do Nicolau, em declarações ao esquerda.net, desmente os argumentos invocados pelo executivo municipal e defende o que o bairro precisava era de “limpeza, manutenção e consolidação da escarpa”. Para o arquiteto, a “deslocação forçada de moradores” é um “erro” e um “processo muito pouco digno”, que “ultrapassa o que é tecnicamente aceitável”.
José Soeiro, primeiro candidato à Câmara do Porto pela candidatura “E se virássemos o Porto ao contrário” do Bloco de Esquerda, declara ao esquerda.net que o “despejo do Bairro do Nicolau é uma operação encapotada de especulação imobiliária”. O candidato salienta que existe um projeto de renaturalizar a escarpa, desde 2001, que a Câmara recusou apoiar e desenvolver.
José Soeiro critica também a “utilização ilegítima da proteção civil e da polícia municipal” por parte do executivo municipal. O candidato do Bloco denuncia ainda que a “Câmara do Porto está a violar o direito ao lugar e à habitação”, “atirando para a segurança social” a resolução do problema de realojamento das pessoas despejadas.
Os deputados municipais José Castro e Joel Oliveira, eleitos pelo Bloco de Esquerda, estiveram no local e, por sua exigência, entraram na área cercada pela PSP e pela polícia municipal.