João Semedo exige suspensão da campanha publicitária da Crioestaminal

O deputado bloquista João Semedo exigiu esta segunda-feira junto do Instituto do Sangue e da ERC a suspensão imediata da campanha da Crioestaminal e a abertura de um inquérito por violação da lei da publicidade.
Anúncio da Crioestaminal.
Anúncio da Crioestaminal.

João Semedo apresentou, esta segunda-feira, uma denúncia ao Instituto do Sangue e da Transplantação e à Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) sobre a natureza “enganosa e científica e factualmente errada da campanha publicitária da Crioestaminal.

Em carta enviada aos presidentes do Instituto do Sangue e da Transplantação e da ERC, o deputado do Bloco de Esquerda, e médico de formação, solicita às entidades competentes (pela regulação desta prática médica e pela observância do Código da Publicidade) “a suspensão imediata da campanha publicitária desenvolvida pela Crioestaminal” e a “abertura de um processo de averiguação com vista ao apuramento de todas as responsabilidades e consequências para aquela empresa, por desrespeito e violação das regras e leis em vigor”.

A campanha viola, no entender do deputado do Bloco de Esquerda, o número 1 do artigo 11.º do Código da Publicidade, e o artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 57/2008, de 26 de Março.

João Semedo recorda, em ambas as cartas, que “os anúncios que constituem a referida campanha estabelecem uma relação direta entre a preservação e utilização futuradas células do cordão umbilical e o tratamento e cura de diversas patologias”, como leucemia, anemia, paralisia cerebral, diabetes, linfomas e alguns tumores sólidos, como, retinoblastoma e neuroblastoma.

Sucede que “esta relação não tem qualquer base técnica e científica”. Constitui, aliás, “aquilo a que vulgarmente se chama ‘publicidade enganosa’, explorando despudoradamente - e com propósitos exclusivamente comerciais - a natural desinformação e desconhecimento da generalidade dos cidadãos sobre a utilização terapêutica das células estaminais”, explica o deputado.

Semedo lembra que a campanha já foi condenada pela comunidade médica e científica e aponta como exemplo as recentes declarações do presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

“Não pode o Instituto Português do Sangue e da Transplantação alhear-se deste lamentável episódio e renunciar a exercer as suas competências perante uma violação tão grosseira dos mais elementares princípios a que devem obedecer as atividades relacionadas com a utilização de materiais biológicos de origem humana, tirando dessa sua ação reguladora todas as consequências previstas na legislação”, apela ainda o deputado do Bloco.


Ler carta de João Semedo endereçada ao Presidente do Instituto do Sangue e da Transplantação, aqui.

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