Israel: Milhares manifestam-se por direitos sociais, manifestante tenta imolar-se

15 de julho 2012 - 0:45

Neste sábado, milhares de pessoas manifestaram-se em Telavive para assinalar o aniversário dos protestos sociais do verão passado. Durante a manifestação, um homem tentou imolar-se pelo fogo e está em estado grave. “O Estado de Israel roubou-me e deixou-me sem nada”, pode ler-se na carta que leu, antes de largar fogo a si próprio (ver vídeo no fim do artigo).

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Daphni Leef, uma das pessoas que lançou os protestos sociais de há um ano, disse ao jornal Haaretz que a mensagem de há um ano não mudou, “queremos uma sociedade justa” - Foto de Oliver Weiken/Epa/Lusa

Milhares de pessoas manifestaram-se em Telavive e noutras cidades de Israel, nomeadamente em Haifa, Be'er Sheva, Jerusalém e Afula, para comemorar os protestos sociais do verão passado e lutar por direitos sociais.

Durante a marcha, um homem de 52 anos regou-se com gasolina e largou fogo, tendo de ser hospitalizado em estado grave. Antes leu uma carta onde afirma: “O Estado de Israel roubou-me e deixou-me sem nada”. E ainda: “Eu acuso Israel, [o primeiro-ministro] Benjamin Netanyahu e [o ministro das Finanças] Youval Steinitz pela humilhação constante a que os cidadãos de Israel se sujeitam diariamente. Eles tiram aos pobres para dar aos ricos”.

Segundo Ofer Barkan, um ativista social israelita, o homem que tentou imolar-se participou nos protestos do ano passado, depois o seu negócio faliu, tornou-se motorista de táxi, mas depois sofreu um enfarte e ficou desempregado. Mudou-se então para Haifa, porque não tinha dinheiro para viver em Telavive, mas em Haifa duas comissões do ministério da Habitação rejeitaram o seu pedido de casa, apesar do ataque cardíaco que sofrera. Depois da tentativa de imolação, muitos manifestantes dirigiram-se ao hospital Ichilov. Alguns deles planeiam manifestar-se domingo em Haifa.

Os milhares de manifestantes que participaram na marcha deste sábado, gritaram: “O povo exige justiça social” e “Bibi [referindo-se ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu] volta para casa”.

Daphni Leef, uma das pessoas que lançou os protestos sociais de há um ano, disse ao jornal Haaretz que a mensagem de há um ano não mudou, “queremos uma sociedade justa” e acrescentou: “Hoje estamos também a comemorar. Quando as pessoas tomam as ruas, entendem que têm poder e que estão certos.”