O ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan, admitiu que a Irlanda terá de referendar o “pacto orçamental” aprovado pela maioria dos países na última cimeira europeia (com o veto do Reino Unido), se este implicar uma alteração constitucional, como defende a chanceler alemã, Angela Merkel. “Teremos de consultar o povo se for necessário mudar a Constituição”, disse Noonan, ponderando porém que o governo irlandês só poderá tomar uma decisão quando houver um texto, o que até agora não aconteceu.
“O que eu digo é que, em política prática, se houver um referendo, a questão mais ampla será a do futuro da Irlanda na zona euro, mesmo que a questão a ser colocada para o povo decidir seja sobre as regras de governança para o euro”, disse Noonan ao Irish Times.
“Tudo se resume a uma questão muito simples – se queremos, ou não, continuar no euro”, insistiu, numa entrevista televisiva à Bloomberg.
Em Paris, a ministra irlandesa dos Assuntos Europeus, Lucinda Creighton, manifestou a “grande preocupação” do seu país sobre o facto de o pacto avançar sem o Reino Unido. Até agora, ficaram de fora o Reino Unido, a Suécia, a República Checa e a Hungria. Mas a Hungria já mostrou abertura para se juntar ao pacto e a decisão dos restantes países depende da aprovação nos parlamentos nacionais. O Reino Unido, porém, manobra para tentar trazer estes países para o seu lado e romper o isolamento.
“Cameron foi criança teimosa”
O tom entre França e Reino Unido subiu depois de o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ter afirmado que “Cameron comportou-se como uma criança teimosa, com um só objetivo: proteger a City de Londres, que quer continuar a comportar-se como um paraíso fiscal off-shore. Nenhum outro país o apoiou, que é o que se chama uma clara derrota política”.
O primeiro-ministro britânico reagiu dizendo que outros países da UE têm dúvidas sobre o que chamou de um plano de um “tratado dentro do tratado da UE”. Cameron falou com os chefes de governo irlandês e sueco, e disse que há “alianças a construir”.