Vítor Narciso, secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), declarou à Lusa, nesta sexta-feira: “Até ao momento temos ainda números reduzidos que dizem respeito a 586 trabalhadores a nível nacional. Estamos a falar da central de correios, transportes postais e poucos centros de distribuição, ainda. Este universo de trabalhadores reflete 95 por cento”.
Vítor Narciso salienta que os números podem subir, uma vez que não têm ainda em conta os trabalhadores dos centros de distribuição e das estações de correio que ainda não abriram e frisa: “Estes números eram esperados de alguma maneira, mas superam a expectativa, apesar de esperarmos esta reação por parte do trabalhadores, tendo em conta o que estava em causa. Estamos satisfeitos (…), para já esta greve está a ser um êxito”.
A greve de 24 horas é pela defesa do serviço público de correios, contra a privatização dos CTT, a diminuição de direitos com o sistema complementar de saúde e a diminuição dos postos de trabalho.
O secretário-geral do SNTCT sublinha à Lusa: “Acima de tudo tem a ver também com a defesa do interesse público do Estado que vai vender uma coisa que dá lucro. Aquilo que apurar da venda dos CTT não vai ser aplicado na economia nacional, vai ser aplicado no pagamento da dívida e juros dos empréstimos e tudo aquilo que são lucros anuais da empresa vai parar às mãos de investidores privados e eventualmente a pagar impostos num qualquer paraíso fiscal”.
No início da paralisação, os trabalhadores dos CTT contaram com a presença no piquete de greve de Cabo Ruivo em apoio à greve de Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, Sérgio Monte, dirigente sindical da UGT, e Pedro Filipe Soares, líder parlamentar dos Bloco de Esquerda.
Pedro Filipe Soares declarou à Lusa: "Estamos aqui a mostrar apoio e solidariedade com a luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores, que só por si é nobre". Frisando que se trata também da "defesa do serviço público", Pedro Filipe Soares lembrou que o Bloco de Esquerda apresentou, na passada quinta-feira na Assembleia da República, um projeto de resolução contra a privatização dos CTT.
Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, declarou à Lusa: "Esta greve dos CTT é um bom começo para todas as outras lutas que vão ter lugar nos próximos dias".
O secretário geral da CGTP considerou que "esta é uma greve que se justifica", porque é "a defesa dos direitos dos trabalhadores, a mobilização contra a privatização de um serviço fundamental e a defesa da economia portuguesa.”
Sérgio Monte da UGT, declarou à Lusa que é uma "incongruência" privatizar os correios, porque "é uma empresa que dá lucro de 50 milhões de euros por ano, pelo que, face ao encaixe previsto com a venda, que é de 600 milhões de euros, em 12 anos essa verba é alcançada" e sublinhou ainda que "vai haver menos qualidade de serviços, encerramento de postos de trabalho e despedimentos".
No início da greve, dois camiões contratados pela administração dos CTT foram impedidos de levar a correspondência no centro de tratamento de Cabo Ruivo, primeiro pelo piquete de greve e, depois, pela PSP.
António Fazenda do piquete do SNTCT contou à Lusa: "Impedimos que os camiões saíssem das nossas instalações e os motoristas da empresa privada chamaram a polícia. O piquete [de greve] pediu à PSP para verificar as viaturas e [a polícia] constatou que faltavam as guias de transporte. Por isso, foram impedidos de sair". O sindicalista disse à Lusa que cada camião tinha dimensão suficiente para transportar cerca de 10 mil cartas.