Governo vende Tóbis sem dar explicações aos deputados

23 de fevereiro 2012 - 17:50

A Tóbis Portuguesa foi vendida a uma empresa unipessoal angolana, dois meses depois do Governo se ter recusado a ir ao Parlamento dar explicações sobre o futuro da empresa. O Bloco de Esquerda quer ouvir Francisco José Viegas sobre as consequências desta venda.

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O Governo optou por vender primeiro e discutir depois o futuro da empresa de restauro e pós-produção de filmes. Foto Ponto e virgula/Flickr

A deputada bloquista Catarina Martins insiste no pedido de explicações ao Secretário de Estado da Cultura, depois de em dezembro a maioria governamental ter considerado "que seria ainda cedo para esclarecimentos públicos".



"Agora o Parlamento é confrontado com uma política de facto consumado, mas não pode assistir passivamente à perda da Tobis sem inquirir sobre as consequências desta venda, o futuro seus dos trabalhadores e do cinema e audiovisual português", diz a deputada bloquista no requerimento entregue esta quinta-feira na Assembleia da República.



Segundo as informações recolhidas pelo Bloco de Esquerda, "esta venda incide sobre a área do restauro e digital e garante apenas a manutenção de metade dos postos de trabalho da empresa" com mais de 78 anos de existência.



O diretor do  Instituto para o Cinema e o Audiovisual, que detém 97% do capital da empresa, anunciou esta quinta-feira que a vendeu à Filmdrehtsich Unipessoal Lda., sem revelar o valor em causa.



Esta venda significará no imediato o despedimento de metade dos 55 trabalhadores da Tóbis, segundo disse o secretário de Estado a António Caetano, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e do Audiovisual (SINTTAV).