"Governo faz dos portugueses os bodes expiatórios desta crise"

07 de abril 2012 - 0:45

Para a deputada bloquista Mariana Aiveca, a suspensão das reformas antecipadas até 2014 é um “atropelo violentíssimo” aos trabalhadores. Louçã diz que o Governo "enganou os portugueses" com a retirada dos subsídios de Natal e férias.

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Mariana Aiveca acusa o Governo de "persistir numa receita que nos levará a um desastre anunciado". Foto Paulete Matos

“O Governo enganou os portugueses. Disse que o plano era 2012 e 2013 e que depois devolvia. Ora, o Governo tirou, a quem descontou para a sua reforma, dois meses do seu salário, e a trabalhadores o mesmo”, disse Louçã esta sexta em Matosinhos. E comentou também as notícias que dizem que o Governo só pretende restituir 20% do valor dos subsídios em 2015.



“Parece que agora [o Governo] admitiria devolver uma semana dos dois meses que retirou e diz que é um lapso. Os portugueses já perceberam o que é que isto quer dizer: 'lapsou' dois meses e agora aceita devolver, parece que é uma semana. Percebe-se então porque é que a economia está tão destruída. Porque a diminuição dos salários tira emprego”, declarou Louçã, citado pela Lusa.



A suspensão das reformas antecipadas, anunciada de surpresa na véspera de entrada em vigor, também foi criticada pelo Bloco. "É o insistir e persistir numa receita que nos levará a um desastre anunciado”, disse Mariana Aiveca, sublinhando que depois de Passos anunciar que não havia mais austeridade “não há nenhum dia em que não tenhamos tido más notícias e mais medidas de austeridade”.



A deputada do Bloco diz que é inexplicável acabar com o direito de “pedir o direito à reforma antecipada”, que já tem uma “penalização enorme (6 por cento por ano)”. “Tirar-lhe esse direito só se compreende de um Governo que faz dos portugueses os bodes expiatórios desta crise e de toda esta situação”, concluiu Mariana Aiveca.



“Toda esta alteração decorreu enquanto se discutia no Parlamento o orçamento retificativo e quando o PSD e o CDS-PP apresentavam uma iniciativa legislativa que versava sobre o envelhecimento ativo”, lembrou a deputada. “Ao fim do dia éramos brindados com uma publicação no Diário da República de uma medida que ninguém conhecia e sobre a qual ninguém foi ouvida. Isto é um direito violentíssimo não só ao direito mas à democracia”, uma vez que “estamos a falar de uma alteração às leis da Segurança Social que obrigam o Governo a ouvir os parceiros sociais e o Parlamento”.