Álvaro Beleza, médico especialista em imunohemoterapia substitui, a partir de terça-feira, Gabriel Olim na presidência do Instituto Português do Sangue (IPS). Apesar de o Ministério da Saúde não ter avançado qualquer explicação para esta substituição, o jornal Público relaciona a demissão de Gabriel Olim com a anulação do concurso lançado pelo IPS para a “aquisição de testes a determinação automática da hemoglobina na pré-doação de sangue” que beneficiava a empresa de Nélson Olim, filho do ex-presidente do IPS.
Os requisitos estabelecidos para esta adjudicação – um equipamento não invasivo com um valor máximo de 200 mil euros – eram preenchidos na perfeição pela Med First Lda, dirigida por Nélson Olim, sendo assim afastada qualquer hipótese para os restantes três concorrentes.
Gabriel Olim nunca admitiu qualquer tipo de favorecimento, tendo apenas reconhecido ter falado com o seu filho sobre este novo sistema, de origem israelita.
Mandato de Olim manchado pela discriminação de homossexuais
A demissão de Gabriel Olim já havia sido reivindicada pelo Bloco de Esquerda e por inúmeras organizações, tais como a Ilga Portugal e as Panteras Rosas, entre outras ONG’s ligadas aos direitos LGBT, e individualidades, como o próprio Machado Caetano, ex-comissário nacional de luta contra a sida, e o ex-deputado do PS, Miguel Vale de Almeida.
O mandato de Olim ficou pela discriminação de homossexuais na doação de sangue. Após a aprovação, na Assembleia da República, de um projecto do Bloco de Esquerda que recomendava ao governo a adopção de medidas que visassem combater a discriminação dos homossexuais e bissexuais nos serviços de recolha de sangue, Olim declarou que não iria cumprir as orientações emanadas da Assembleia da República e que considerava “uma provocação” e uma tentativa de “introduzir no circuito sangue contaminado” a doação de sangue por parte de homossexuais.
O Ministério da Saúde chegou igualmente a ser categórico na defesa da interdição da doação de sangue por parte de homossexuais, tendo sido amplamente criticado pela comissária europeia da Saúde, Androulla Vassiliou, pelo Bastonário da Ordem dos Médicos, entre outros.