Fundamentalista eleito Comissário Europeu da Saúde

21 de novembro 2012 - 15:35

O maltês Tonio Borg é o novo Comissário Europeu da Saúde e Proteção do Consumidor, depois de ter visto o seu nome aprovado no Parlamento Europeu. Borg destacou-se no seu país por se opor à legalização do divórcio e é um feroz opositor do direito ao aborto ou ao reconhecimento dos casais homossexuais.

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Apesar da visão retrógrada no que respeita ao divórcio, aborto e direitos LGBT, Tonio Borg foi escolhido para Comissário da Saúde e Proteção do Consumidor

A proposta de Borg, que vem substituir o seu compatriota John Dalli, implicado num escândalo de tráfico de influências, suscitou viva polémica no Parlamento Europeu, acabando por ser aprovado com o voto de 386 eurodeputados contra 281 e 28 abstenções. A visão fundamentalista do novo comissário quase lhe custou o lugar na Comissão liderada por Durão Barroso.



Malta só legalizou o divórcio após um referendo realizado no ano passado, com 52% dos votos a favor. Tonio Borg encontrava-se na trincheira contrária, defendendo que os malteses deviam continuar a ser um dos três povos do mundo proibidos de acabar com o seu casamento. A sua posição fundamentalista estende-se aos direitos dos homossexuais. "Era o que faltava ter de dar alojamento aos gays", exclamou quando se opôs à extensão aos casais homossexuais dos benefícios na habitação social.



Segundo o El Pais, quando foi ministro do Interior de Malta no fim da década de 90, Borg mandou deportar 200 imigrantes para a Eritreia, apesar de saber que corriam perigo de vida. Muitos deles acabaram por ser presos e torturados e alguns foram executados, sem que Borg tenha admitido o erro.



No que respeita ao aborto e a questões sobre saúde sexual e reprodutiva - diretamente relacionadas com o seu novo cargo em Bruxelas - as posições de Borg são bem conhecidas. "O abominável crime da pedofilia é punido com prisão em todo o lado. Por outro lado, a maioria desses países permitem o aborto", escrevia o agora Comissário europeu em 2005, antes de encabeçar uma campanha para que a Constituição maltesa incluísse a proibição da interrupção voluntária da gravidez.



"Não há um único deputado em Malta que defenda o aborto. Se Estrasburgo nos exige mandar um comissário favorável ao que eles chamam de direitos sexuais e reprodutivos, o assento de Malta na Comissão terá de continuar vazio", advertiu esta semana o ex-ministro trabalhista George Vella, que as sondagens apontam como provável futuro primeiro-ministro do país.



A maioria do Parlamento Europeu acabou por aprovar, através de voto secreto, a escolha de Tonio Borg, depois do candidato ter garantido que as suas opiniões não irão influenciar o respeito pela legislação de cada país nestas matérias. Gabi Zimmer, líder parlamentar do GUE/NGL, declarou que "nós lutámos para evitar este desfecho, mas agora teremos de assergurar que ele será fiel as declarações que fez na audiência com os deputados, no sentido de cumprir o seu dever de respeitar a não discriminação na Saúde e no consumo, bem como na defesa dos Tratados".