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Fernando Rosas: “Prioridade do PS é chegar a acordo com os partidos de direita”

A pedido do Bloco de Esquerda, o PS recebeu uma delegação do Bloco, nesta terça-feira. Fernando Rosas declarou ao esquerda.net que, lamentavelmente, “o PS evidenciou que a sua prioridade neste momento é chegar a acordo com os partidos de direita, encontrar pontos de suavização da austeridade e não fazer qualquer espécie de acordo à esquerda”.
Fernando Rosas declarou ao esquerda.net que, lamentavelmente, “o PS evidenciou que a sua prioridade neste momento é chegar a acordo com os partidos de direita, encontrar pontos de suavização da austeridade e não fazer qualquer espécie de acordo à esquerda”.

A pedido do Bloco de Esquerda, o PS recebeu uma delegação do Bloco, na sequência da proposta apresentada por João Semedo de abertura de um processo de discussão e aprovação das bases programáticas de um governo de esquerda.

Ao esquerda.net, Fernando Rosas fez a seguinte declaração sobre a reunião com o Partido Socialista:

“O Bloco de Esquerda fez aquilo que devia fazer e que decorre das deliberações da Convenção Nacional do Bloco: Face ao colapso do governo de direita e das políticas de austeridade, o Bloco abriu um processo de negociação e busca de alternativa com PS, PC e personalidades que nele queiram participar.

A pedido do Bloco de Esquerda, o PS recebeu uma delegação do Bloco.

Na reunião propusemos que se iniciasse de imediato, e nos prazos indicados pelo Presidente da República, um diálogo para o estabelecimento de um acordo fundamental em torno da renegociação da dívida e da defesa do Estado Social.

O PS, no entanto, evidenciou que a sua prioridade neste momento é chegar a acordo com os partidos de direita, encontrar pontos de suavização da austeridade e não fazer qualquer espécie de acordo à esquerda. Não deu por isso continuidade às propostas apresentadas.

Lamentamos que assim seja.

Num momento em que se trata de saber se a esquerda busca uma plataforma de entendimento para derrubar o governo da direita e a política de austeridade ou se se procura dar uma mão ao governo em busca duma austeridade benevolente, o PS parece claramente decidido pelo segundo caminho”.

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Comentários

O que este acordo não diz ao cidadão é a sua vontade em fechar um ciclo já iniciado há uns anos largos, ou seja querem acelerar a operação cirúrgica em termos estruturais:
1. privatizar a actividade económica e para isso há que primeiro manter durante anos a ineficácia económica para que os acoteres económicos e financeiros internacionais anexados ao PAE do FMI possam se apoderar, a preço de retalho, dos mercados promissores e logicamente das empresa públicas
2. desregular no máximo o intercâmbio, permitindo assim à lei da oferta ser menor e a procura ser bem maior para que o desemprego dispare em exponencial a fim de uniformizar o salário para se obter a mão-de-obra-mais barata em Porugal
3. desacoplar o Estado das suas funções como Estado Democrático fazendo com que ele tenha um papel subsidiário, de quadro jurídico para o funcionamento da economia privada e da redistribuição solidária para os riscos excepcionais.
4. endividar ao máximo as empresas públicas estratégicas do Estado para que se dê início à privatização cujo modelo é nacionalizar as perdas e privatizar os ganhos para que o sector privado, nomeadamente na Segurança Social, Saúde, Educação, permitindo assim a possibilidade de um lucro ao sector privado em detrimento do cidadão.
5. concentrar os recursos em função do desempenho dos pólos através do poder transnacional dados a pessoas sem nenhuma formação política nem instrucção académica válida, cujo o seu objectivo é de impedir que haja formas alternativas de gestão dos recursos naturais e económicos. .
• minimizar a redistribuição social e as despesas do Estado não funcionais em relação à lei da concorrência o que corresponde à marginalização e à exclusão do capital humano no Estado.
• Redesenhar o espaço socioeconómico eliminando grupos que compartilham uma visão estratégica de crescimento económico, que preconizam uma gestão redistributiva, que desenvolvam um projecto ao mesmo tempo nacional e social.
• Acelerar a institucionalização progressiva das redes de poderes transnacionais para se garantir mutuamente a segurança contra as ameaças provenientes dos movimentos cívicos que nada mais são respostas às consequências desastrosas da mundialização, reprimindo tudo que ameaçe a emergência da nova ordem mundial

Tal como o sociólogo Boaventura Sousa Santos, acho que o PS e o BE deviam inovar em Portugal e formar Governo de esquerda.

França, Espanha e Alemanha já o tiveram e as respetivas sociedades viveram estabilizadas.

Uma coligação PS-BE pacificaria a sociedade portuguesa; devolveria às pessoas parte do que lhes foi roubado; haveria menos greves e manifestações (porque muitas das medidas teriam apoio do PCP que suporta essas açoes).

Evidentemente que o PS impediria decisões ultramontanas que o BE não deixaria de exigir. Mas o BE (com a implantação eleitoral que se conhece) nunca teria força para as impor.

Infelizmente, uma direita retrógrada e arruaceira (políticos, empresários e outras pessoas) tem estado a espicaçar o PS e BE para que não se entendam.

http://www.tvi24.iol.pt/503/politica/eleicoes-antecipadas-boaventura-sou...

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