Fórum Económico Mundial alerta para riscos da desigualdade social

12 de janeiro 2012 - 15:57

Fórum Económico Mundial alerta: desequilíbrios económicos e desigualdade social são os riscos com maior probabilidade de ocorrência nos próximos 10 anos. No ranking de riscos de acordo com o grau de impacto sobre a sociedade, as falhas no sistema financeiro surgem em primeiro lugar, seguidas da crise no fornecimento de água.

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Foto de Paulete Matos.

Os desequilíbrios fiscais crónicos e a crescente disparidade de rendimentos são apontados como os riscos com maior probabilidade de ocorrência nos próximos 10 anos no relatório Riscos Globais 2012 do Fórum Económico Mundial que enumera os 50 problemas com os quais o planeta terá de lidar no período de uma década, de acordo com a probabilidade de eles ocorrerem e com o impacto que terão sobre a sociedade.

Esta foi a conclusão a que chegaram os 469 especialistas e líderes setoriais que colaboraram no estudo. Há um ano atrás, o foco das preocupações detinha-se nos riscos ambientais, tendo sido transferido no presente ano para os riscos socioeconómicos.

“Pela primeira vez em várias gerações, muitos indivíduos não acreditam que os seus filhos terão no futuro um padrão de vida melhor que o seu”, afirmou o Diretor Executivo responsável pelo relatório. “Este novo mal-estar é particularmente agudo nos países industrializados”, avançou ainda Lee Howell.

No Relatório Riscos Globais 2012 do Fórum Económico Mundial é lançado um alerta: os governos precisam conter a insatisfação social antes que ela se torne “uma força desestabilizadora”.

Segundo o documento, “nas economias desenvolvidas, os contratos sociais que foram dados como garantidos em décadas recentes correm o risco de serem destruídos” por causa dos desequilíbrios fiscais, que obrigam governos a cortar gastos e benefícios sociais.

“Os indivíduos são cada vez mais levados a arcar com riscos que, anteriormente, eram assumidos por governos e empresas para obter uma aposentadoria segura e acesso a serviços de saúde de qualidade. Este relatório é um alerta para que os setores público e privado encontrem maneiras construtivas de reajustar as expectativas de uma comunidade global cada vez mais aflita”, declarou John Drzik, Diretor Geral do Oliver Wyman Group (Marsh & McLennan Companies).

No ranking de riscos de acordo com o grau de impacto sobre a sociedade, as falhas no sistema financeiro (4,08) surgem em primeiro lugar, seguidas da crise no fornecimento de água (3,99), crise na oferta de alimentos (3,93), desequilíbrio fiscal crônico (3,87) e extrema volatilidade nos preços de alimentos e energia (3,81).