"Estado está a substituir-se aos acionistas na recapitalização da banca”

02 de janeiro 2013 - 18:57

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, considera "incompreensível" a injeção de 1.100 milhões de euros no Banif, operação que levará o Estado a tornar-se no principal acionista do banco, sem exigir responsabilidades e ter o usufruto da gestão.

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"Os bancos estão a ser mais um problema neste dia-a-dia de luta contra a crise e o Estado não pode dar-lhes dinheiro para eles continuarem a ser parte do problema, devendo sim exigir-lhes que sejam parte da solução. É preciso que o crédito seja motor da economia, coisa que o Estado, apesar de salvar os bancos, não exige que eles façam", reforça Pedro Filipe Soares. Foto de Paulete Matos.

Pedro Filipe Soares, falando em Aveiro aos jornalistas, criticou a decisão do Governo de se remeter a uma posição de "acionista passivo", quando, "com esta injeção no Banif o Estado será o maior acionista, ou como no caso do BCP e do BPI, onde conseguiria ter também a maioria do capital com a injeção que fez".



O líder da bancada do Bloco diz que "é preciso perceber porque é que o Estado não exige aos acionistas que façam o que têm de fazer, que é meter dinheiro nas suas empresas, e não que seja o Estado a substituir-se aos acionistas" e lembra que "quando foi para distribuir os dividendos, quer do BPI, do BCP ou do Banif, foram os acionistas que ao longo de décadas receberam esses lucros".



Crítico da injeção de capital no Banif, Pedro Filipe Soares rejeita o argumento da necessidade de manter a estabilidade do sistema bancário e lembra que esse foi também o pretexto para o Estado meter no BPN cinco mil milhões de euros e depois vender aquele banco por menos de um por cento do seu valor.



"Houve claramente uma gestão de descapitalização da banca. Os maiores bancos portugueses, ao longo da última década, retiraram em dividendos cerca de dez mil milhões de euros, o que foi um grande negócio para os acionistas, mas descapitalizou a banca, e o que o Estado está a fazer é a substituir-se aos acionistas nessa recapitalização, o que não é compreensível", disse.



No caso do Banif, que o dirigente bloquista admite ter contornos diferentes, já que o Estado passa a ter mais capital, deve ter o usufruto, ou seja, impor os seus interesses aos acionistas privados, o que passa por obrigar o banco a cumprir o papel de ajudar a economia a crescer, concedendo crédito às empresas.



"Os bancos estão a ser mais um problema neste dia-a-dia de luta contra a crise e o Estado não pode dar-lhes dinheiro para eles continuarem a ser parte do problema, devendo sim exigir-lhes que sejam parte da solução. É preciso que o crédito seja motor da economia, coisa que o Estado, apesar de salvar os bancos, não exige que eles façam", reforça.



Pedro Filipe Soares salienta que o Bloco apresentou "várias medidas nesse sentido" e conclui: "o Estado não pode andar a salvar bancos privados sem que tenha o usufruto da sua gestão. É essa responsabilidade que exigimos do Governo".