Espanha: 75% da função pública em greve

08 de junho 2010 - 14:12

O Governo do socialista José Luís Rodriguez Zapatero enfrenta esta terça-feira a primeira greve da função pública nos seus cinco anos à frente do governo espanhol, que ao meio-dia os sindicatos diziam ter uma adesão de 75,3 por cento.

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Cerca de 30 mil pessoas numa manifestação em Barcelona, no dia de greve geral da Função Pública. Foto LUSA/EPA/Xavier Bertral

As centrais sindicais falaram de taxas de adesão, no turno da noite, a rondar os 80 por cento, mas esta manhã a secretária de Estado da Função Pública, Consuelo Rumí, avançou, em conferência de imprensa, com números diferentes, referindo uma adesão de 15 por cento.

O protesto é motivado pelas medidas de austeridade que incidem sobre os 2,659 milhões de funcionários públicos, das administrações central, autonómicas e municipais, apresentadas pelo Executivo em 12 de Maio último e prevêm um corte de, em média, cinco por cento nos ordenados a partir de Julho e o congelamento salarial para 2011. Estas medidas foram aprovadas pelo Parlamento por um voto de diferença, com o único apoio da bancada socialista e a abstenção dos nacionalistas catalães, dos regionalistas canários e dos conservadores navarros. Todos os outros grupos políticos votaram contra.

A média de adesão que, segundo os sindicatos, se está a registar aos serviços ronda os 75 por cento, mas numa primeira avaliação, referem que durante o turno da madrugada a adesão rondou os 80 por cento, com a maioria dos sectores a funcionarem apenas em serviços mínimos.

 

Segundo o El País, o sector da Saúde parece ter os níveis de maior adesão, com 65 por cento de grevistas. A saúde, a par com a educação, é o sector com maior representação entre o funcionalismo público, cerca de 43 por cento.

Em Madrid, os transportes, muitos deles de empresas concessionadas, não pararam. O mesmo ocorreu na ligação de TGV entre a capital espanhola e Sevilha, embora o tráfego tenha um atraso de uma hora. Já em Barcelona, os comboios suburbanos paralisaram a partir das 11h, até às 17h. Na cidade catalã, o serviço de transportes teve uma redução de 50 por cento.

Os portos de Barcelona, Bilbao e Alicante ficaram parados durante algumas horas por barragens dos grevistas. Em Lérida, as fechaduras de alguns edifícios públicos apareceram bloqueadas e na Avenida Diagonal de Barcelona os piquetes de greve queimaram pneus, levando ao corte do trânsito e a engarrafamentos numa das artérias principais da cidade.

Houve já um primeiro protesto, com mais de 1500 trabalhadores, que decorreu durante a manhã, às portas do Ministério da Economia em Madrid, um dos pontos que centrará parte das contestações sindicais. Em Barcelona, um dos pontos de concentração foi a porta do hospital Vall d’Hebron, onde logo pela manhã se começaram a juntar trabalhadores, que mais tarde percorrerão o centro da cidade. Agora encontram-se já 30 mil manifestantes na rua.

Além da greve, vários protestos estão então programados durante todo o dia nas principais cidades espanholas, com destaque para Madrid, onde a Porta do Sol, no centro da cidade, acolherá o que se antevê seja o protesto de maior dimensão. Será nesse protesto que participam os líderes sindicais Cándido Méndez (UGT) e Ignacio Fernández Toxo (CCOO).