Como todas as sondagens apontavam, François Hollande e Nicolas Sarkozy disputarão a segunda volta das eleições presidenciais francesas a 6 de Maio.
Marine Le Pen, a candidata da Frente Nacional de extrema direita, alcançou o terceiro lugar com 17,9%, ultrapassando a melhor votação do seu pai, Jean-Marie Le Pen, que obteve 16,86% em 2002 e passou então à segunda volta.
Jean-Luc Mélenchon, candidato da Frente de Esquerda, ficou em quarto lugar obtendo 11,1%. Os outros candidatos obtiveram a seguinte percentagem: François Bayrou (centro-direita) 9,1%; Eva Jolly (Verdes) 2,3%; Nicolas Dupont-Aignan (direita) 1,8%; Philippe Poutou (esquerda, NPA) 1,2%; Nathalie Arthaud (esquerda, Lutte Ouvrière) 0,6%; Jacques Cheminade (esquerda, Solidarité et progrès) 0,3%.
Na declaração feita na noite neste domingo, Jean-Luc Mélechon considerou como “primeiro ensinamento” desta volta das presidenciais que o povo francês “parece determinado a virar a página dos 'anos Sarkozy'”, frisando que “o total dos votos das direitas, com todas as suas componentes, recua em relação a 2007”. Alertando para a elevada votação da extrema direita, Mélenchon afirmou que teve razão “em concentrar” a sua campanha “na análise e na crítica radical das propostas da extrema direita” e que se não tivesse feito isso, o resultado da extrema direita poderia ser “ainda mais alarmante”.
Considerando que a Frente de Esquerda foi a “força nova” que “nasceu nesta eleição”, Mélenchon apelou à participação no 1º de Maio com os sindicatos e ao voto a seis de Maio, dia da segunda volta das presidenciais, “para derrotar Sarkozy”, “sem pedir nada em troca”.
O candidato da Frente de Esquerda apelou ainda à mobilização para a segunda volta das presidenciais como se se tratasse da sua própria eleição, salientando que não se trata de uma “batalha pessoal” ou num “único país”, mas a batalha para “derrotar a tendência que na Europa mantém todos os povos sob o jugo do eixo Sarkozy-Merkel”.
Por fim, Mélenchon afirmou que “qualquer que seja” o presidente eleito, “a finança está já determinada a agredir o povo francês” e então “a única escolha será entre submeter-se ou resistir” e para a resistência “só há uma força, a nossa”.
Na declaração publicada no site do NPA, Philippe Poutou apela igualmente à participação no 1º de Maio e ao voto contra Sarkozy a 6 de Maio, “sem que isso signifique qualquer apoio à política de François Hollande”.