Os dados do Eurostat, divulgados esta semana, sobre os “jovens adultos” na União Europeia, referentes a 2008, revelam que, em Portugal, 47,6 por cento dos homens entre os 25 e os 34 anos e 34,9 por cento das mulheres na mesma faixa etária vivem ainda em casa dos pais. Nos dois casos, os valores são dos mais elevados na UE.
No conjunto dos 27 Estados-membros, em média, apenas 19,6 por cento das mulheres e 32 por cento dos homens nessa faixa etária continuam a viver com os pais. Do total, 13% continuam a estudar. Mas a mesma tendência mantém-se, mesmo ao nível comunitário: mais mulheres procuram mais cedo a independência habitacional, e não só.
Quanto aos jovens com idades compreendidas entre os 18 e 24 por cento, cerca de 8 em cada 10 mulheres (82,8 por cento) e 9 em cada 10 homens (91,6 por cento) em Portugal ainda vivem com os pais, sendo também neste caso os valores mais elevados em relação à média comunitária (respectivamente 71 e 81,5 por cento).
Nos países nórdicos é onde se sai mais cedo de casa
Entre os 18 e os 24 anos, a Dinamarca, Finlândia e Suécia lideram com mais jovens fora de casa. Porém, são elas que saem mais. Por exemplo, na Dinamarca só 27% das raparigas vivem com os pais, contra 40% dos rapazes.
No extremo oposto estão a Eslovénia e Malta com 93% das raparigas e 97% dos rapazes a viverem com os progenitores. Portugal está mais próximo destes países, com 82,8 das jovens e 91,6 dos jovens ainda em casa da família.
O estudo conclui que as mulheres saem mais cedo de casa e que são elas quem mais cedo se casa ou junta com um parceiro. As taxas mais altas de união de facto encontram-se na Finlândia, Suécia, Roménia e França.
Segundo o mesmo estudo do Eurostat, dos jovens entre os 18 e os 34 anos, 48% das mulheres e 36% dos homens vivem em união de facto.
O peso da precarização do trabalho e do desemprego
Vários factores contribuirão para o modelo social europeu espelhado nestes números do Eurostat. Entre os vários níveis de emancipação e conservadorismo sociais, de igualdade de género e de desenvolvimento económico, entre sistemas de educação e políticas de habitação diferentes, os dados sobre a precariedade e o desemprego na Europa denunciam desde logo uma coincidência entre os universos de incidência.
É sem dúvida na mesma faixa etária, altura em que se deveria tentar a independência económica, que o trabalho precário é maioritário e o desemprego assume valores que não poderão ser ignorados.
Em Portugal, sabe-se que em cada três trabalhadores com menos de 30 anos, dois são precários, sendo que há mais de meio milhão de jovens a trabalhar com contratos a prazo.
Os números do desemprego em Portugal também indicam que a formação já não é condição para a empregabilidade do mesmo modo que o era há uns anos ou gerações atrás. Cerca de 10 por cento dos desempregados (dados de 2009) são pessoas com qualificações superiores, das quais dois terços são mulheres. Acabar a licenciatura e sair de casa dos pais é um plano cada vez menos frequente e possível entre os jovens portugueses.
Quanto ao desemprego, sabe-se que do total dos desempregados portugueses em 2009, 23 por cento correspondia a jovens com idades compreendidas ente os 25 e os 34 anos.
Em 2010, o desemprego jovem mundial atingiu máximos históricos
Em Agosto deste ano, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou o estado do desemprego jovem a nível mundial, que registou em 2009 a taxa mais alta de sempre, 13 por cento, correspondente a 81 milhões de pessoas – um valor que deverá ainda aumentar este ano. Os números foram divulgados nas conclusões do relatório “Tendências Mundiais do Emprego Jovem 2010”.
As taxas de desemprego juvenil demonstraram ser mais sensíveis à crise do que as de adultos, provavelmente porque a recuperação do mercado laboral dos jovens tarda mais em acontecer.
Actualmente existem em todo o mundo mais de 1,2 milhares de milhões de jovens, com idades entre os 15 e os 24 anos e que representam cerca de 18 por cento da população mundial.
Nos termos do relatório, o crescente desemprego juvenil terá “importantes consequências para os jovens, pois à medida que os novos candidatos ingressam no mercado laboral, juntam-se às filas dos já desempregados”.