Depois do resgate aos bancos de Espanha, a crise da dívida atinge fortemente a Itália com a subida das taxas de juro da dívida italiana.
Nesta quarta feira, a Itália pagou uma taxa média de juro de 3,97% pela emissão de 6,5 mil milhões de euros de dívida a um ano, no mercado primário. Há um mês, a 11 de maio, a Itália tinha pago uma taxa média de juro de 2,34%. Portugal pagou 3,83%, há uma semana, num leilão de mil milhões de euros de títulos de dívida pública também a um ano.
A taxa de juro da dívida italiana a dez anos continua acima de 6%, estando em 6,111% nesta quarta feira.
Como tem sido costume em todos os países atingidos pela crise da dívida, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, aprestou-se a declarar que “a Itália não precisa, nem vai precisar, da ajuda do Fundo de Apoio da Zona Euro”.
Nesta terça feira, a ministra das Finanças da Áustria, Maria Fekter, tinha declarado a Itália tem um grande endividamento, o que a leva a ter de pagar juros elevados e poderá obrigá-la a ter de pedir apoio financeiro.
Monti considerou as declarações da ministra austríaca “totalmente desadequadas” e acrescentou “compreendo que a Itália, no passado, tenha sido associada à ideia de um país indisciplinado, mas agora está mais disciplinada que muitos outros países europeus”. “O nosso país paga, através da sua contribuição proporcional, para ajudar a Grécia, Portugal, a Irlanda e agora a Espanha. E, está a pagar também taxas de juro extremamente elevadas, por causa das tensões nos mercados”, declarou ainda o primeiro ministro italiano.
Nesta quinta feira, Monti vai encontrar-se com o novo presidente francês, François Hollande, no Palazzo Chigi em Roma, às 16 horas locais. Mario Monti tem também na agenda um encontro marcado para dia 22 com a chanceler alemã Angela Merkel, também em Roma, e reuniões com representantes de Espanha e de França para debater a crise económica da zona euro.
A subida da taxa de juro paga pela Itália teve um efeito imediato: a queda acentuada das bolsas europeias, depois de terem aberto em subida.