Crise da dívida atinge fortemente a Itália

13 de junho 2012 - 15:23

Os juros da dívida italiana continuam a disparar. Nesta quarta feira, a Itália pagou juros mais elevados num leilão de dívida a um ano, do que Portugal pagou no último leilão. Mário Monti, que se vai encontrar nesta quinta feira com François Hollande, já veio declarar que “a Itália não precisa, nem vai precisar” de resgate.

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Como tem sido costume em todos os países atingidos pela crise da dívida, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, aprestou-se a declarar que “a Itália não precisa, nem vai precisar, da ajuda do Fundo de Apoio da Zona Euro” - Foto de Giuseppe Lami/Epa/Lusa

Depois do resgate aos bancos de Espanha, a crise da dívida atinge fortemente a Itália com a subida das taxas de juro da dívida italiana.

Nesta quarta feira, a Itália pagou uma taxa média de juro de 3,97% pela emissão de 6,5 mil milhões de euros de dívida a um ano, no mercado primário. Há um mês, a 11 de maio, a Itália tinha pago uma taxa média de juro de 2,34%. Portugal pagou 3,83%, há uma semana, num leilão de mil milhões de euros de títulos de dívida pública também a um ano.

A taxa de juro da dívida italiana a dez anos continua acima de 6%, estando em 6,111% nesta quarta feira.

Como tem sido costume em todos os países atingidos pela crise da dívida, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, aprestou-se a declarar que “a Itália não precisa, nem vai precisar, da ajuda do Fundo de Apoio da Zona Euro”.

Nesta terça feira, a ministra das Finanças da Áustria, Maria Fekter, tinha declarado a Itália tem um grande endividamento, o que a leva a ter de pagar juros elevados e poderá obrigá-la a ter de pedir apoio financeiro.

Monti considerou as declarações da ministra austríaca “totalmente desadequadas” e acrescentou “compreendo que a Itália, no passado, tenha sido associada à ideia de um país indisciplinado, mas agora está mais disciplinada que muitos outros países europeus”. “O nosso país paga, através da sua contribuição proporcional, para ajudar a Grécia, Portugal, a Irlanda e agora a Espanha. E, está a pagar também taxas de juro extremamente elevadas, por causa das tensões nos mercados”, declarou ainda o primeiro ministro italiano.

Nesta quinta feira, Monti vai encontrar-se com o novo presidente francês, François Hollande, no Palazzo Chigi em Roma, às 16 horas locais. Mario Monti tem também na agenda um encontro marcado para dia 22 com a chanceler alemã Angela Merkel, também em Roma, e reuniões com representantes de Espanha e de França para debater a crise económica da zona euro.

A subida da taxa de juro paga pela Itália teve um efeito imediato: a queda acentuada das bolsas europeias, depois de terem aberto em subida.