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Crato paga 154 milhões a colégios privados enquanto encerra escolas públicas

No mesmo dia em que é denunciado o escândalo do financiamento a colégios privados em detrimento do Ensino Público, Nuno Crato utiliza uma analogia abusiva entre as dívidas das famílias e a dívida pública do Estado, avançando que uma “família teria que passar um ano inteiro a trabalhar sem comer” para pagar a dívida.

Na Grande reportagem (ver vídeo) da jornalista Ana Leal, com imagem de Gonçalo Prego e montagem de Miguel Freitas emitida na TVI 24, no “Jornal das 8”, de segunda feira, é denunciado o financiamento estatal, de muitos milhões de euros, pagos por todos os contribuintes, de 81 colégios privados. Estes estabelecimentos, construídos de norte a sul do país, encontram-se, muitas vezes, ao lado de escolas públicas.

“É em Coimbra, onde, em nome do interesse público, se construiu o maior império de colégios privados com contrato de associação”, avança a reportagem. São 141 turmas com contrato de associação, que envolvem um financiamento de perto de 12 milhões de euros.

O Colégio de São Martinho, que “fez o cerco a quatro de escolas públicas”, todas elas a trabalhar a pouco mais de 50% da sua real capacidade, é apontado como um exemplo da cumplicidade entre responsáveis governamentais e os interesses privados.

Na criação deste estabelecimento privado de ensino, construído sem licença de construção, estiveram envolvidos alguns ex dirigentes da Direção Regional de Educação do Centro, como é o caso de Fernanda Mota Pinto, deputada pelo PSD no VII Governo Constitucional e ex diretora regional de Educação do Centro, e Manuela Fonseca, também ex dirigente da DREC.

Este colégio recebe este ano 1 milhão e 785 mil euros por 21 turmas financiadas pelo Estado, com o argumento da alegada sobrelotação das escolas públicas, argumento que é totalmente falacioso e minuciosamente desmontado nesta reportagem.

Um estudo de 2011, encomendado pela ex ministra Isabel Alçada à Universidade de Coimbra, confirmava a interferência deste colégio no funcionamento das escolas públicas e recomendava o fim do financiamento no ensino secundário.

Este é apenas o primeiro de inúmeros exemplos de colégios privados que “nunca deveriam ter tido autorização para serem construídos” e que têm vindo a ditar o esvaziamento das escolas públicas.

Assim como também é exemplo da “teia de cumplicidades que abrange ex-governantes que, depois de exercerem os cargos, passaram a trabalhar para grupos económicos detentores de muitos desses colégios, ou ex diretores regionais de educação que fundaram depois colégios que são pagos com o dinheiro dos contribuintes”.

A reportagem “mostra o retrato de um país que se prepara para pagar, até ao fim deste ano, mais de 154 milhões de euros em contratos de associação”.

Governo flexibiliza as regras que regulam os acordos de associação

Esta terça feira entra em vigor o novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, que abre a porta a uma nova vaga de contratos de associação, na medida em que flexibiliza as regras que regulam os acordos de associação para financiar a frequência de escolas privadas pelos estudantes.

Passa, inclusive, a haver liberdade para que sejam firmados contratos de associação com os privados quando existe oferta pública disponível na proximidade desses estabelecimentos de ensino.

Crato: Portugueses precisavam “trabalhar mais de um ano sem comer para pagar dívida”

No mesmo dia em que é denunciada a conivência e subserviência do governo PSD/CDS-PP face aos interesses privados, com o escândalo do financiamento a colégios privados em detrimento do ensino público, Nuno Crato veio comparar a dívida pública do país com a dívida de uma família.

“Imaginem o que é uma família ter que passar um ano inteiro a trabalhar sem comer, sem utilizar eletricidade, sem utilizar transportes, só para pagar a dívida dessa família. Foi este o ponto a que chegámos em Portugal. É um ponto absolutamente insustentável”, afirmou Crato, em Ovar, durante uma sessão de esclarecimento sobre o Orçamento do Estado para 2014.

O ministro da Educação defendeu ainda que o corte nas despesas do Estado não é suficiente e que se impõem ainda alguns "sacrifícios que vão transformar Portugal num país competitivo".

"Em vez de termos entrado numa espiral recessiva, como dizem os mais pessimistas, Portugal entrou na espiral responsável, aumentando a sua competitividade externa", acrescentou.

Não é primeira vez que um responsável governamental opta por utilizar uma analogia abusiva entre as dívidas das famílias e a dívida pública do Estado.

O governo PSD/CDS-PP finge, novamente, desconhecer que as famílias portuguesas não podem mobilizar determinados recursos para fazer face à chantagem da dívida, bem como não dispõem dos mesmos instrumentos de que o Estado dispõe, como é o caso de impor a renegociação de uma dívida abusiva que está a ser imposta aos cidadãos.

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Comentários

Não se deveria fazer uma petição para a demissão do Sr. ministro que hoje veio à televisão dizer que os Portugueses teriam que ficar um ano a trabalhar e sem comer, para que os meninos ricos possam ser melhor servidos? 154 MILHÕES DE EUROS!!! SR. MINISTRO!!! PARA FINANCIAR ESCOLAS PRIVADAS SR. MINISTRO!!! Em pouco tempo o Sr. ministro será certamente responsável ou consultor de um destes grupos de colégios, não???
Acho que já chega de gozo com o povo. Penso que esta petição teria certamente muitas assinaturas. Obrigado

Os meus filhos frequentaram o Ensino Público...
Porque razão tenho que pagar para os filhos dos outros frequentarem colégios privados...????
Não sou contra os colégios privados... mas quem os quiser frequentar que pague... já chega de chular o contribuinte.
Isto é um país de mafiosos... os políticos, claro...
PS: Não sou de esquerda. Não sou de direita. A política é uma coisa nojenta... e os políticos alimentam isso...

E por que razão os pais de quem frequenta o privado não têm desconto nos impostos, já que os seus filhos não frequentam a escola pública.
Estamos a falar dos colégios onde as crianças não pagam para os frequentarem, certo?
Nota: Os meus filhos frequentam o público.....

Porque é!, que haviam de ter desconto nos impostos? se os seus filhos estão no ensino privado, é porque os pais assim o querem , então que paguem : No que diz respeito aos desemprego , dou razão ao dirigente da CGTP

O estado não financia escolas privadas ao contrário do que o artigo leva a crer. O estado finacia alunos, só alunos, no caso financia alunos que frequentam escolas privadas gratuitamente, tal e qual como se frequentassem a escola pública. E o valor que custa ao estado cada aluno que é subsidiado nas ecolas privadas é inferior ao valor por aluno gasto nas escolas públicas. O problema é a promiscuidade, a corrupção, o clientelismo etc. que fazem com que eventualmente alguns destes contratos não tenham razão de existir porque não existia na altura da sua realização a necessidade que viria colmatar, mas em muitos casos existe de facto esta necessidade.

Amigo para o seu andar no publico eu tambem pago impostos e pago a escola do meu filho se o seu fica ao estado po x ao ano porque o meu nao recebe o mesmo x afinal a despesa é a mesma desde que as provas finais sejam dadas Notas....lol

Liberdade de escolha: tenho seis filhos e como é meu dever dou-lhes de comer todos os dias, mas em casa, comida confecionada pela mãe, no entanto, desde ontem estou confrontado com a exigência de um deles que quer que eu lhe pague a sua liberdade de escolha, quer ir comer todos os dias a um restaurante e traz-me as faturas para eu pagar. Acham justo?

Fernanda Mota Pinto, é viúva do falecido Primeiro Ministro e mãe de 3 filhos, todos eles ligados à elite do PSD. Um é deputado, outro representante de Portugal no Banco Mundial, consultor da AICEP etc, e outro advogado num dos mais influentes grupos de advocacia no País. Tudo em nome da liberdade de escolha e a demonstrar "empreendorismo"

Palhaço !!!!
Por essas e por outras é que a minha filha, a frequentar o 4º ano no ensino público e com exames nacionais no final do ano, ainda está sem professor de turma.
Três foram colocados e três pediram baixa médica.
Como é possivel tudo isso estar previsto na lei?????
Como é possivel serem colocados professores a dar aulas a 400 km de casa ?
Dizem que é isso que gere a riqueza do país. Que país ??? Que riqueza ????
Enfim, já nem sei o que dizer ! Andam esses "gajos" (que não se lhe pode chamar outro nome) a tentar governar um pais que eles próprios desgovernam e quem sofre é sempre o mais pobre.
Só existe uma palavra: PALHAÇOS (sem querer ofender profissão tão nobre)

Não estou a perceber exactamente do que é que está a reclamar? Será de os três professores estarem de baixa? Ou será que é por o ministério não ter um plano B para quando 50% dos professores estão de baixa? Certamente não será de estar previsto na lei a baixa médica ou será? Eu não sei se há professores a trabalhar a 400 km, mas sei que não pode haver um mapa de escolas públicas baseado na proximade de casa dos professores em vez da proximidade da casa dos alunos, mas o que eu sei é que há centenas de milhares de desempregados que davam tudo para ter um emprego a 400 km, já para não falar das outras centenas de milhar que tiveram que os procurar a miilhares de km de casa.

Agora tornou-se moda humilhar as pessoas dizendo: Se não estás satisfeito, podes deixar o teu trabalho porque há milhares, até mais qualificados do que tu, que davam tudo para ocupar o teu lugar. Isto dito por quem está muito bem refofado na vida. A verdade é que não é comportável um professor trabalhar a a 400km de casa, cada ano lugar, ora no norte, ora no sul, ora nas ilhas, não se podendo fixar em lado nenhum e ter que viver anos a fio com ajuda monetária dos familiares. Não sei que concursos são estes agora, em que cada vez ficam mais professres de fora e os que conseguem é sempre longe de casa.

Este artigo é altamente falacioso pois tende a enganar os leitores. Primeiro o estado não paga as escolas privadas, paga um valor por cada um dos alunos que as frequentam sem pagar, e paga menos por aluno do que se esses alunos frequentassem o ensino público. Depois diz o mesmo artigo, e é do connhecimento geral, que o protocolo com a escola de Coimbra é anterior a este governo, tal como se sabe que não foi celebrado por ele nenhum novo protocolo. Diz ainda o artigo que as escolas das imediações estão a mais de 50%, dando de barato quue assim é, resta saber se essas escolas já estavam construídas á altura da realização do protocolo e se sim qual era a sua capacidade na altura. Todos bem nos lembramos do fartar vilanagem que era o Parque Escolar e não se pode pôr tudo no mesmo saco. É que só assim se poderá aferir se houve um não dolo na realização do contrato, mas se as condições se alteraram entretanto é normal que o estado honre os seus compromissos com quem fez o investimento. Se houve dolo acabe-se na hora. Há de facto muita corrupção, permissividade e falta de transparência neste negócio, tal como nas PPP, nas rendas e em muitas negociatas que todos conhecemos, mas não se pode generalizar e diabolizar tudo e mais alguma coisa só porque é privado ou porque um ex governante tem projectos privados dentro da sua área profissional, especialmente 30 anos depois da sua curta passagem por esse cargo. É óbvio que no Bloco de Esquerda esse risco não existe, não porque as pessoas sejam de fibra moral superior aos restantes Portugueses, porque obviamente não são, mas simplesmente porque não há nínguém dentro do partido que alguma vez tenha criado uma empresa, riqueza, empregos etc. para além dos empregos precários que criam para quem trabalha para o partido, mas que depois como se viu após as legislativas de 2011 são despedidos sem apelo nem agravo como em qualquer empresa, ou país, que tem que fazer o ajustamento á sua nova realidade económica e falo obviamente dos 20% de funcionários do Bloco no Parlamento que foram despedidos após a subvenção, imoral diga-se, que recebem por cada voto ter sido cortada pela enorme derrapagem eleitoral. E se bem me lembro o Bloco de Esquerda até apoiou o governo anterior em algumas das obras sumptuárias alegando que o país precisava desse investimento público. Vê-se hoje o quanto precisava!

Não sei o que é que isso tem que ver com o que escrevi, e porque é que em vez de contra argumentar faz uma pergunta redundante, mas enfim. Tenho filhos e andam, não em colégios, mas em escolas públicas. E por acaso em mau estado porque o governo anterior para fazer algumas escolas de luxo e dar contractos a gabinetes d arquitectos e escolas do regime por ajuste directo deixou outras ao abandono. É o caso da escola dos meus filhos que tem algumas salas fechadas e não tem pavilhão gimno desportivo porque chove lá dentro. Se o estado subsidiasse os meus filhos para que pudessem frequentar uma outra escola com o mesmo valor que gasta com eles naquela, não tinha dúvida em os mudar de lá na hora!

Notícia baseada numa reportagem da TVI, uma visão muito parcial do estado da educação
A qualidade do ensino privado versus público nunca mencionado, o estado gasta 154 milhões de euros em 81 colégios privados, quanto gasta no ensino público?
Evidente que todos os casos de corrupção e de tráfico de influências deveriam ser investigados e punidos.

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