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Coreia do Norte: filho de Kim promovido a general

Kim Jong Un, um desconhecido jovem de cerca de 20 anos, entra na linha de ascensão à liderança do país. Por Tomi Mori, de Tóquio, para o Esquerda.net
Kim Jong Il e Kim Jong Un

A conferência do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, realizada esta semana, referendou mais uma vez Kim Jong Il como o “imperador” da dinastia burocrática norte-coreana. A Coreia do Norte é um caso sui generis, onde o poder foi passado através de laços sanguíneos para Kim Jong Il, após a morte do seu pai, Kim Il Sung, que governou o país desde o pós-guerra, após a divisão da península coreana.

Os delegados de todo o país foram chegando a Pyongyang, no domingo, para a conferência do partido que se realizara, anteriormente, há 30 anos, com o objectivo de eleger o actual ditador Kim Jong Il.

Um negócio da família Kim

A conferencia do PT norte-coreano, convocada de maneira inesperada e sem que o mundo e nem mesmo a população da Coreia do Norte soubessem claramente os motivos, parece ter tido o objectivo de abrir caminho para que o filho de Kim Jong Il, Kim Jong Un, um desconhecido jovem de cerca de 20 anos, possa ascender à liderança do país num futuro que pode não estar muito distante. Kim Jong Un foi promovido, junto com a sua tia, Kim Kyong Hui, ao cargo de general, um passo que deixa clara a disposição de manter a Coreia do Norte, aparentemente, como um negócio da família Kim e dando prosseguimento a essa lamentável dinastia burocrática.

Kim Kyong Hui, que também foi promovida a general, além de ser irmã de Kim Jong Il é esposa de Chang Sung Taek, o segundo homem-forte da ditadura burocrática. A promoção dos dois familiares, segundo a maioria dos analistas, tem o objectivo de facilitar a transição de governo, caso Kim Jong Il venha a falecer, já que não se encontra de boa saúde há um bom tempo.

A manutenção da dinastia Kim, alem de manter os privilégios da família, visa manter os da burocracia governante. A Coreia do Norte, um país onde a população sofre de absoluta miséria e alguns milhões estão literalmente a passar fome este ano, pode desagregar-se quando Kim Jong Il morrer, como podia ter acontecido anteriormente, com a morte de seu pai. A burocracia norte-coreana tem bastante claro que manter os “imperadores” da familia Kim, e aguentar as consequentes aberrações é melhor do que ver o regime e seus privilégios destruídos.

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Comentários

Escreve o Mori:
“A Coreia do Norte é um caso sui generis, onde o poder foi passado através de laços sanguíneos para Kim Jong Il, após a morte do seu pai (...). Os delegados de todo o país foram chegando a Pyongyang, no domingo, para a conferência do partido que se realizara, anteriormente, há 30 anos, com o objectivo de eleger o actual ditador Kim Jong Il.”

Afinal em que é que ficamos Mori? O líder actual foi eleito ou não foi eleito? É que pode ter o pudim e comê-lo. Vá lá decida-se mas não é sério dizer simultaneamente que o actual PR do país recebeu o poder “através de laços sanguíneos” e por eleição duma “ conferência do partido” realizada 30 anos antes.

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