A perda do estado federado de Baden-Wurttemberga (BW), onde a CDU ocupava o poder há 58 anos, foi uma dura derrota para Angela Merkel e implicará a redução do peso da coligação da chanceler alemã no Parlamento.
Este domingo, os Verdes conseguiram duplicar os seus resultados eleitorais e, pela primeira vez, irão assumir a chefia de um estado federado, em coligação com os sociais-democratas (SPD). Nesta coligação, os Verdes assumem a liderança, já que obtiveram 24,2% dos votos, contra 23,1% do SPD. Winfried Kretschmann, cabeça de lista dos Verdes, irá representar um dos estados federados mais importantes e mais ricos da Alemanha.
A CDU obteve nestas eleições 39% dos votos, o FDP 5,3%, o que dá a esta coligação um total de 44,3%, e o Die Linke contou com 2,8% da votação.
A derrota da CDU nestas eleições pode ser justificada por diferentes factores. O actual chefe do governo regional da CDU, Stefan Mappus, que foi promovido por Merkel, não merece a confiança e a simpatia dos eleitores. A rejeição pela população da uma obra babilónica, de custos incalculados e que visa a construção no centro da cidade de Stuttgart de um novo terminal ferroviário subterrâneo, teve um peso preponderante nos resultados eleitorais (a este respeito ler o artigo Alemanha: 'obra babilónica' e nuclear no centro das eleições de Baden-Württemberg)
A questão nuclear também pesou na decisão dos eleitores. Ainda que 70% dos alemães sejam favoráveis ao encerramento das centrais nucleares mais antigas, a decisão de Merkel de encerrar sete centrais foi encarada como uma medida puramente eleitoralista e propagandística. A posição pró-nuclear de Mappus é, inclusive, amplamente conhecida.
A abstenção da Alemanha no que respeita à imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia, a crise da dívida na zona euro e o escândalo relacionado com a acusação, contra o ministro da Defesa de Merkel, de plágio foram outras das condições que contribuíram para a derrota humilhante de Merkel.