"A carta que a troika deve receber é a da despedida"

15 de abril 2013 - 0:09

A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins defendeu este domingo que a “única carta” que a troika deve receber é a “da despedida”, para devolver a soberania ao país e evitar “mais sete anos” de austeridade e crise.

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Foto de Paulete Matos

“Já todos percebemos que, com tantas cartas à troika, mas com a política sempre na mesma, a carta que falta é a da despedida da troika. É por essa que continuamos a lutar. Um empréstimo não pode ser uma retirada de soberania ao povo. O FMI errou em todas as previsões, o BCE também. Tudo o que prometeram não existe. A dívida é mais alta do que nunca, o défice está descontrolado e entretanto temos um milhão de pessoas sem emprego”, afirmou Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco reagiu assim, no Porto, à carta que o primeiro ministro enviou à troika, a um eventual entendimento à esquerda e ao alargamento, em sete anos, do prazo para Portugal pagar o empréstimo recebido ao abrigo do programa de ajustamento.

“A única carta que a troika deve receber é a da despedida. E, claro, renegoceie-se a dívida”, frisou, em declarações aos jornalistas, no Porto, antes do debate “Derrubar o Governo”, inserido no “espaço de debate, reflexão e formação política alargado Inconformação 2013”.

Quanto aos sete anos de alargamento do prazo para Portugal pagar o empréstimo, Catarina Martins observa que “a dívida só vai aumentar” e que, “se não se apostar na criação de emprego e no crescimento da economia, este tempo não é para saída da crise, é para mais austeridade e mais crise”.

A coordenadora alertou “que o plano que o Governo apresenta como plano B, face aos cortes do Tribunal Constitucional é, na realidade, o plano A”, em curso “desde 2012”, e criticou a “encenação, chantagem e ameaça ao país” do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

“Do que se vai conhecendo da carta que o primeiro-ministro escreveu à troika, sabe-se agora que ele diz que os cortes no Estado Social estão a ser preparados e estão em andamento desde 2012. Esse é um facto muito relevante, porque mostra que o plano que o Governo apresenta como plano B, face aos cortes do Tribunal Constitucional é, na realidade, o plano A desde início”, afirmou.

Catarina Martins frisa que “é o próprio primeiro-ministro, na carta à troika, que reconhece que o seu plano é, desde o início, cortes no Estado Social e que não é por causa do TC que o faz”.

“O primeiro corte, aquele de que o Governo tem mais certeza, é nos desempregados e nos doentes. Este é um Governo que não pode continuar, que falta sistematicamente à verdade, que tudo o que sabe é ameaçar e todo o seu plano é fragilizar o que já está mais frágil”, lamentou, destacando que “as pessoas não precisam de encenações nem de birras, mas de um governo novo que renegoceie a dívida”.