Campanha das sobras dos restaurantes "pariu um rato"

23 de outubro 2011 - 12:57

Em Dezembro do ano passado, Cavaco Silva foi ao Casino Estoril lançar uma campanha contra a fome, com o apoio dos patrões da restauração e distribuição alimentar. Um ano depois, ainda nenhum restaurante aderiu em Lisboa. Para a vereadora Helena Roseta, foi tudo "uma manobra de propaganda".

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A iniciativa juntou os patrões da distribuição alimentar e Cavaco Silva no Casino Estoril em plena campanha presidencial. Mas afinal foi só propaganda, diz a vereadora lisboeta da Habitação. Foto Paulete Matos

"Os restaurantes fizeram o seu número e depois cortaram-se. Aqui em Lisboa, a campanha pariu um rato", criticou a vereadora da Acção Social na Câmara Municipal de Lisboa, Helena Roseta. A Câmara ainda seleccionou 74 famílias carenciadas para receberem o prometido apoio em refeições. "Só responderam positivamente três restaurantes, por isso insistimos para ver se aderiam mais, mas o resultado foi que passámos de três para zero", lamentou Helena Roseta em declarações à agência Lusa.



O lançamento desta campanha contra a fome no palco luxuoso de um Casino foi na altura alvo de polémica, ainda por cima por ocorrer a meio da campanha presidencial. Cavaco Silva dizia na altura que "envergonha-nos a todos saber que há portugueses com fome" e que aquela iniciativa era "um verdadeiro exemplo de como as instituições da sociedade civil podem dar um valioso contributo para um Portugal mais coeso, mais unido e solidário".



Mas um ano depois, a campanha da AHRESP, com o apoio de grupos como a  Auchan, Jerónimo Martins, Sonae e Makro, não colheu o apoio dos restaurantes. E é de prever que com as dificuldades que trará ao sector o aumento do IVA de 12% para 23% a situação não se deva alterar. O concelho com mais aderentes é o de Santa Maria da Feira, mas porque a Câmara já desenvolvia um programa semelhante de restaurantes solidários.



Noutros concelhos, como em Oeiras, a situação é bem diferente: a vereadora Elisabete Oliveira diz que "não apareceu nenhum restaurante", o que levou a autarquia a desenvolver um projecto local. "Fizemos alguns contactos e as coisas começaram a correr melhor", com a adesão de três restaurantes e duas pastelarias que fornecem dezoito refeições diárias a quinze famílias.