Em conferência de imprensa realizada neste domingo, Catarina Martins começou por referir que “a cada dia útil em Portugal fecham 24 empresas e o desemprego bateu valores record”, salientando que “o combate pela economia contra o desemprego e contra as falências é o combate essencial”.
O Bloco de Esquerda reuniu recentemente com empresas e sindicatos e realizou um fórum de micro, pequenas e médias empresas e dessas realizações concluiu que os principais problemas são:
a quebra do mercado interno, ou seja o efeito da recessão como resultado da austeridade; o acesso ao crédito; elevados custos da energia e dificuldades de tesouraria.
A coordenadora do Bloco de Esquerda apresentou propostas para enfrentar esses problemas.
Para o acesso ao crédito por parte das PME's, o Bloco propõe “uma taxa travão” para o crédito a conceder às empresas, para que o financiamento “nunca possa ser em 20% superior à taxa de juro praticada no resto da Zona Euro”. A coordenadora do Bloco denunciou que “as pequenas e médias empresas em Portugal representam 75% do emprego e estão neste momento a financiar-se na banca em condições piores do que as empresas gregas”.
O Bloco propõe também que os bancos recapitalizados pelos fundos públicos devem ser obrigados a utilizar, “pelo menos, 50% desses fundos no financiamento de empresas não financeiras, da economia real, com uma taxa de juro que não ultrapasse a média da Zona Euro”.
Para a Caixa Geral de Depósitos, o Bloco propõe que possa usar “o remanescente dos fundos de recapitalização dos bancos, mais de seis mil milhões de euros, para financiar empresas não financeiras”.
O Bloco considera também que criar um banco de fomento não faz sentido quando já existe “um banco público, que deve ser o primeiro instrumento de” dinamização da economia portuguesa e Catarina Martins sublinhou que o tecido empresarial português não pode estar à espera de “um banco de fomento que não existe” e que “fragilizaria”o papel da Caixa, quando “todos os dias fecham 24 empresas”.
Para baixar o custo da energia, que é um dos aspetos mais criticados por empresas e sindicatos, que “é um dos mais elevados na Europa” e que mais pesa nos orçamentos, o Bloco propõe que o IVA da energia (gás e luz) “deve baixar para a taxa mínima (6%), tanto para empresas e famílias. Catarina Martins referiu que “uma empresa têxtil com 60 trabalhadores gasta o triplo em energia do que gasta com salários e o Governo que não tem feito nada a este propósito”. O Bloco propõe também que o IVA na restauração baixe para os 13%.
A coordenadora do Bloco de Esquerda propôs também o aumento do salário mínimo nacional, como medida prioritária de defesa das condições de vida das pessoas e para a dinamização do mercado interno. Catarina Martins salientou que, como disse o presidente dos EUA, Barack Obama, “aumentar os rendimentos de quem menos ganha é uma garantia de aumento da procura interna”.