O país precisa de um programa de salvação nacional que o proteja “dos juros extorsionários”

21 de abril 2012 - 13:24

Francisco Louçã acusou, este sábado, o governo de querer “afundar o país o mais depressa possível numa recessão sem fim” e de não saber responder “a nenhum dos problemas que está a criar”. Louçã defendeu que é necessário um programa de salvação nacional que proteja “a economia do abuso” e anunciou uma interpelação ao governo para o próximo dia 26 de abril.

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Foto de Paulete Matos.

Para o dirigente bloquista, os “dados da execução orçamental são um pequeno sintoma, sendo que é muito mais significativo o facto de o Fundo Monetário Internacional demonstrar que a austeridade está a provocar a destruição da economia e que, por isso mesmo, se prepara para negociar um novo empréstimo de 16 mil milhões de euros ao longo dos próximos meses ou mesmo das próximas semanas”.

“O governo quer condições cada vez piores para as pessoas que trabalham no nosso país”, e é por isso mesmo que é “tão determinante que exista uma resposta corajosa”, avançou Francisco Louçã.

“A resposta que hoje é necessária”, defendeu Louçã, “é um programa de salvação nacional contra a usura e contra os juros abusivos”. “Portugal não precisa de 16 mil milhões de euros de um novo empréstimo que implique novas medidas de austeridade, de desemprego e de empobrecimento. O que Portugal precisa é de cortar nos juros abusivos que agora são de 34 mil milhões de euros e que serão muito mais por cada cêntimo de empréstimo usurário que venha a ser agravado para a economia portuguesa”, advogou o deputado do Bloco de Esquerda.

Para Francisco Louçã, “um programa de salvação nacional é o cancelamento da dívida que não existe, é a proteção do país contra os juros extorsionário, a proteção da economia contra o abuso”. “Nós estamos agora numa situação da vida em que é preciso escolher ou juros ou emprego, ou juros ou pensões, ou juros ou Serviço Nacional de Saúde, ou juros ou a proteção do investimento que cria alternativas e que cria responsabilidades”, alertou o dirigente bloquista.

“Se Portugal tiver a grandeza de impor a renegociação desta dívida, em vez de estar a favorecer o aumento da dívida e o aumento das dificuldades à socapa, como sempre o governo faz, então é possível um programa de investimento para o emprego, é possível responder às pessoas”, como as 170 mil famílias que não conseguem pagar as prestações da casa ao final do mês e os cerca de um milhão e 200 mil desempregados, avançou Louçã.

“Se Portugal tiver que pagar, em 2015 e 2016”, 19 mil milhões de euros, alertou ainda, “então não são só o 13º e o 14º meses que estão em risco, é toda a vida social, toda a proteção da economia, toda a sobrevivência das pessoas, é todo o respeito pelas pessoas que é posto em causa”.

Segundo o dirigente bloquista, não podemos aceitar a política do governo do “quanto pior melhor”, da “eternização da destruição”.

E é por isso mesmo que o Bloco, mediante os números alarmantes de que agora temos conhecimento, convoca o governo para uma interpelação no dia 26 de abril, que será a primeira sessão parlamentar depois do 25 de abril, sobre "Política Orçamental e de Crescimento", e que trará à Assembleia da República o Ministro das Finanças e outros membros do governo para “responderem pelas dificuldades que estão a criar, pela política de terra queimada que estão a desenvolver”.

Questionado por um dos jornalistas se continua a defender a realização de eleições antecipadas caso o governo avance com um novo programa de austeridade, Francisco Louçã sublinhou que, neste momento, o governo não admite que o fará, e que está a “intervir à socapa” e frisou que só a democracia nos protege do “fanatismo ideológico” do executivo.