BCE vai facilitar à banca mais de mil milhões de euros em fevereiro

04 de fevereiro 2012 - 0:00

Instituição presidida por Mário Draghi apressa-se a resgatar os bancos, mas não dá nem um euro aos governos. Por Marco Antonio Moreno, El Blog Salmón.

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Instituição presidida por Mário Draghi resgata os bancos, mas não dá nem um euro aos governos. Foto de European Parliament

Aproveitando o dinheiro barato do Banco Central Europeu, e que a prenda de Natal de 489 milhões de euros não foi suficiente, os bancos privados preparam-se para pedir mais de mil milhões de euros em empréstimos durante fevereiro. O dado foi publicado pelo Financial Times, e dá conta que em fevereiro o BCE vai duplicar a soma de dinheiro emprestada à banca em dezembro, considerada uma autêntica prenda de Natal.

Esta forte injeção de dinheiro no sistema financeiro reflete o plano de financiamento de emergência que o BCE oferece à banca para ajudar a capitalizá-la e retirá-la da crise. O BCE empresta dinheiro à banca a um juro de 1% anual, para que esta invista em bónus soberanos dos países, com um rendimento que hoje é de 4% para o caso espanhol, de 7% para o caso da Itália e 13% para Portugal. Quem paga a diferença? Todos os contribuintes, evidentemente.

Mesmo não tendo o plano revitalizado a economia, é tal o nível de benefícios que foi atirado à banca que, para os próximos leilões, vários dos maiores bancos da Europa indicaram que vão duplicar ou mesmo triplicar os seus pedidos de dinheiro. Por isso, a soma de mil milhões de euros pode ser superada e chegar a 1,2 ou 1,5 mil milhões de euros. Como informámos, o BCE corre para resgatar os bancos mas não dá nem um euro aos governos.

Isto demonstra a falta de liquidez que vive o sistema financeiro, produto da diminuição dos depósitos das pessoas. O BCE procura suprir esta carência, ou falta de dinheiro vivo disponível, com as maciças injeções de liquidez que inundam o mercado financeiro. Como sempre, o ponto fraco destas ações é o desligamento que há entre o sistema financeiro e a economia real, o que impede que os fluxos de dinheiro reativem a economia. Com isto, o BCE consegue salvar a banca, mas dilata a resolução da crise, dado que adia para mais adiante os problemas, na esperança de que as coisas melhorem.

A ação do BCE não passa de uma solução temporária e é antes de tudo destinada a ganhar tempo. E como anunciou a própria banca, desta vez não vai atuar com timidez e duplicará ou triplicará os seus pedidos de dinheiro. Esperamos que esta abundante injeção de liquidez incline para baixo o custo da dívida soberana. É a única forma pela qual o sistema financeiro poderia facilitar a ação dos governos e as tarefas de empreendimento.