A polícia de Barcelona carregou violentamente, na manhã desta sexta feira, contra os “acampados” na Praça da Catalunha, sob a justificação de limpeza “por motivos de salubridade” e questões de segurança face à final da taça dos campeões europeus de futebol, no próximo sábado. A carga policial provocou ferimentos ligeiros em 121 pessoas, 37 dos quais polícias, segundo o jornal “El Pais”. Os acampados mantiveram a ocupação da praça, após a intervenção policial.
O porta-voz do Governo da Catalunha (Convergència i Unió – direita nacionalista catalã), Francesc Homs, disse que a intervenção policial era motivada por razões de “segurança e ordem pública” e que os manifestantes poderiam continuar na praça. O PS catalão considerou que o Governo da Catalunha “se excedeu”, perante a sua “incapacidade de negociação e de diálogo” com os acampados. A Iniciativa per Catalunya (ICV-EUiA – esquerda catalã) condenou a intervenção policial, considerou que o Governo está desejoso de desalojar a praça e salientou que a ocupação dos acampados está a ser “exemplar” e que o comportamento dos “indignados” é “cívico, democrático e participativo”.
Entretanto, o secretário-geral do PP em Madrid, Francisco Granados, vai solicitar a Zapatero que declare a Puerta del Sol “uma zona catastrófica”, exigindo o desalojamento imediato dos manifestantes.
O director da Amnistia Internacional (AI) em Espanha, Esteban Beltran, declarou que vai analisar com rigor o que se passou em Barcelona, na Praça da Catalunha, e disse que a AI "vai estar também muito atenta" ao que possa acontecer nas praças ocupadas de outras cidades do Estado Espanhol. Segundo Esteban Beltran a AI "não apoia nem se opõe" às propostas dos manifestantes, mas defende "firmemente o direito a expressá-las em liberdade", de forma pacifica e sem que se produzam acções "com o uso da força" para retirar os manifestantes.