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Assunção Cristas protegeu pesticidas que estão a matar as abelhas na Europa

O colapso das populações de abelhas na Europa nos últimos anos está associado à utilização de três pesticidas produzidos pela Bayer e Syngenta. A proposta de suspender a sua utilização foi aprovada esta semana, mas o Governo português alinhou com os argumentos da indústria agroquímica e votou contra a proteção das abelhas.
Assunção Cristas alinhou com lóbi agroquímico em vez de proteger a sobrevivência de uma espécie essencial para a alimentação humana. Foto FAO

Os argumentos dos gigantes agroquímicos da Europa, a alemã Bayer e a suíça Syngenta, para continuarem a comercializar os três pesticidas da família dos neonicotinóides (tioametoxam, imidacloprid e clotianidin), centraram-se sempre na ausência de provas científicas para explicar o súbito desaparecimento de 30% das abelhas todos os anos desde 2007. Mas um estudo publicado em março na revista Nature Communications demonstra como o uso desses neonicotinóides afeta a memória e a capacidade de orientação das abelhas, essenciais para encontrar alimento e assegurar a sobrevivência das colónias. Uma conclusão que veio dar razão ao relatório divulgado em janeiro pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos.

Mas o Governo português foi mais sensível aos argumentos do lóbi agroquímico e tentou evitar que a Europa tomasse uma ação determinada para proteger as abelhas, votando contra a proposta, no que foi acompanhado por outros sete países. A favor votaram 15 países, incluindo a Alemanha, que se tinha abstido na anterior votação em março.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), um terço do que comemos depende da polinização de abelhas, que são os insetos responsáveis por polinizar mais de dois terços das 100 espécies de cultivo mais importantes. Por outras palavras, são essenciais à alimentação humana, fornecendo um serviço que caso fosse executado feito por mão humana custaria muitos biliões de euros.

Apesar da aparente vitória para as abelhas, esta decisão da Comissão Europeia foi suavizada com nuances que podem comprometer o seu sucesso. Logo à partida, o prazo de implementação da suspensão do uso de neonicotinóides foi adiado para dezembro, sendo a proibição limitada às culturas visitadas por abelhas. Por exemplo, no caso do uso destes pesticidas em olival ou vinha - que não atraem abelhas - existe o risco destes produtos serem transportados para outros locais, afetando culturas que elas procuram. 

Bloco defendeu voto favorável à proibição dos pesticidas

Num projeto de resolução apresentado na Assembleia da República no fim de março, o Bloco de Esquerda chamou a atenção do Governo para este problema, recomendando o voto favorável à proposta em debate em Bruxelas e a "suspensão do uso desses neonicotinóides em colheitas que atraiam abelhas em Portugal", bem como a criação de um Plano de Ação para a preservação das populações de abelhas e de outros polinizadores.

"Em 2011, Portugal foi o segundo Estado-membro com maior número de derrogações ao uso de pesticidas, apenas superado pela França. No ano de 2010, os números nacionais foram semelhantes", denunciou o Bloco de Esquerda, acrescentando que "não é justificável que o país lidere a tabela de derrogações e que aumente o risco de exposição a pesticidas que de outra forma não poderiam ser usados ou aplicados a determinadas colheitas".

Mas Assunção Cristas não se deixou convencer pelos argumentos científicos nem pelos apicultores que vêem o seu investimento arruinado devido aos pesticidas. Seguindo o argumentário da indústria agroquímica que varreu boa parte das abelhas do mapa europeu, o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território comunicou à agência Lusa que "deve ser dada continuidade aos trabalhos já em curso com vista à consolidação dos princípios e orientações técnicas de avaliação do risco e tomada de decisão relativa aos efeitos dos produtos fitofarmacêuticos em abelhas".

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Comentários

Resta saber porque não se cumpre o Princípio da Precaução.

Segundo a página oficial da União Europeia "O princípio da precaução permite reagir rapidamente face a um possível risco para a saúde humana, animal ou vegetal, ou quando necessário para a protecção do ambiente. Na realidade, caso os dados científicos não permitam uma avaliação completa do risco, o recurso a este princípio permite, por exemplo, impedir a distribuição ou mesmo retirar do mercado produtos susceptíveis de serem perigosos"

http://europa.eu/legislation_summaries/consumers/consumer_safety/l32042_...

Mais uma para a perda de credibilidade internacional! Com tanta porcaria que tem havido em Portugal não é de admirar se o povo ficar com a suspeição de que quem esteve por detrás da posição portuguesa estava comprado por grandes Grupos Químicos.

Quem deu autorização a esta sumidade para votar ao lado dos lóbis agroquímicos. Quem afinal lhe paga o ordenado? A quem é que ela deve explicações. Quais os interesses que ela jurou defender? Os nossos, observando o princípio da precaução informada, ou os deles numa ofensiva comercial de guerra química, contra a natureza e a agricultura, que ela diz defender de que é fiel depositária enquanto ministra de agricultura?
Afinal em que escola é que esta senhora andou? Ela saberá lêr. Só pode ter sido colega do relvas sendo ela naturalmente a erva...daninha

Na verdade, a resposta da ministra foi...o prédio está a ruir e moram lá milhões de pessoas, mas vamos continuar os estudos dos entendidos senão a Bayer e a Syngenta vão perder muito dinheiro......PALHAÇOS

Parece-me ver aqui alguns comentários um pouco radicais. A Sra. Ministra tem obviamente que manifestar interesse pela protecção do ambiente e pelos seres que nele habitam mas também pelos agricultores que são responsáveis pela nossa alimentação. Alguém aqui, questionou se existem alternativas viáveis à sua substituição no mercado com o intuito de combater as pragas para as quais estas substâncias ativas se destinam? Alguém aqui se preocupou em saber se o seu uso apresenta os mesmos riscos para as abelhas se forem aplicados nas culturas após o período de floração? Pois é, se estudos que existem forem realmente conclusivos concordo com a remoção destas substâncias das listas de produtos autorizados, caso contrário, preocupem-se com aqueles que produzem, que trabalham de sol a sol, que se submetem a não ter rendimentos quando existem aleatoriedades climáticas, pois sem roupa de marca, de bons carros e de outros luxos todos podemos prescindir mas sem alimentos para a nossa alimentação ninguém pode certamente viver. É mesmo assim Sra. Ministra da Agricultura, se a ciência não demonstrar o contrário, os interesses dos agricultores devem prevalecer às posições radicalistas dos "verdes", porque esses também comem... Não querendo com isto dizer que as suas posições não devam ser incontestavelmente defendidas quando de facto a razão lhes assiste.

Miguel, reforço que em culturas perenes a aplicação deste tipo de produtos (e não só os três referidos, há mais) já é proibida durante o periodo de floração, podendo os mesmos ser aplicados apenas em pré ou pós floração. Basta ler o rótulo dos produtos...

22 Estados com muitos estudos de cientistas de renome acharam que o melhor era proibir já, mas outros 5 incluindo Portugal com muitos menos estudos sobre o assunto achou que não! Qual é a lógica disto ?!

É muito triste que o rendimento dos agricultores esteja dependente da utilização de produtos tóxicos - para as abelhas, para outros insectos, para outros animais, para o próprio homem... É muito triste que esses produtos tóxicos que sustentam o rendimento de alguns agricultores persistam nos solos e nos sistemas hidrológicos muitos anos depois da sua aplicação. É muito triste que estes produtos tóxicos se fixem nos tecidos dos seres humanos, contaminando por exemplo o leite materno das mulheres, todas as mulheres. Continuação de bom trabalho, sr. Miguel Leão.

Miguel, o problema é que sem as abelhas nós deixamos de comer. Não se trata dos interesses dos agricultores contra as opiniões dos ecologistas, mas dos interesses da indústria agroquímica contra o interesse geral - incluindo o dos agricultores.

Essa sua recomendação de "mais estudos" é a velha treta portuguesa de quem não quer fazer nada. Os países que votaram a favor consideraram suficientes os estudos já feitos. Até a Alemanha, sede da Bayer, votou desta vez a favor. E a Suíça, sede da Syngenta, já tinha adoptado regras semelhantes, e menos diluídas do que as que foram agora adoptadas pela União Europeia.

1º "agricultores que são responsáveis pela nossa alimentação...." Nunca vi um agricultor fecundar uma planta. Isso é trabalho da abelha e sem elas nem precisamos de agricultores. Não quero tirar nenhum merito aos agricultores, acho que são fundamentais à humanidade e deviam ser muito mais protegidos pelos governos mundias (quero dizer os pequenos agricultores), mas não à custa do ecossistema.

2º "Alguém aqui, questionou se existem alternativas viáveis à sua substituição no mercado com o intuito de combater as pragas para as quais estas substâncias ativas se destinam?
Existem soluções... mas atrapalham o lucro facil. Veja aqui por exemplo:
http://www.pan-uk.org/

3º "Alguém aqui se preocupou em saber se o seu uso apresenta os mesmos riscos para as abelhas se forem aplicados nas culturas após o período de floração?"

Veja aqui: http://bees.pan-uk.org/assets/downloads/Bee_factsheet5.pdf

Estes pesticidas até ficam no solo. Alguns estudos dizem que estes ficam mais de 3 anos, por isso é que as industrias formaram um lobby no sentido de, se após 3 anos de proibição as abelhas continuarem em declinio pode-se concluir que os neocorticoides são seguros. Bela logica para ter lucro à custa da vida. Como de costume.

Para cada estudo sério sobre o assunto, vão aparecer estudos patrocinados pelas industrias interessadas vender o seu peixe.

O facto é: os neocorticoides destroem as abelhas... sem abelhas não há humanos, etc...

Devem ter decidido que as abelhas são más para o negocio... se calhar têm uma alternativa para nos vender.

Eu tenho a impressão que você deve gostar de comer químicos. Essa ideia de que é preciso pesticidas para haver comida é uma ilusão. Antes havia um ecossistema equilibrado em que para muitas pragas havia predadores, como o caso por exemplo do piolho ou do pulgão. Era a tão querida Joaninha que raramente se vê, pq como deve calcular ela não aprecia muito esses químicos. Há tb muitas curas naturais para toda a espécie de pragas e fungos, que já são utilizadas com sucesso em modo de produção biológica e em sistemas de permacultura. Como se entrou em modos de produção de monocultura massiva em que se carregam milhares de litros de químicos para um depósito e se espalha por essas mesmas produções de modo preventivo, sem sequer haver uma doença ou praga identificada, óbvio que isso não vai correr bem. Não há respeito pelo ecossistema nem pela biodiversidade. Queremos reinventar a Terra, os genes, a Vida. Mas o que estamos a fazer é precisamente o contrário. Estamos a ir contra as mais elementares regras da Vida, neste planeta, no cosmos. É preciso estar atento e ver até que ponto estamos mergulhados na ilusão e nos nossos medos. É preciso estar atento à cultura de desinformação e de cultura do medo. Os Velhos mais antigos não tinham químicos e não morriam à fome. No século XX, na sequência das guerras químicas montou-se um aparato industrial que foi perpetuado já no interesse da das grandes corporações. E assim surgiram os produtos fito-farmacêuticos. Só o nome diz tudo... Farmacêutico...

Caro Miguel,
Em primeiro lugar, sou um dos agricultores responsável pela vossa alimentação e minha primeira preocupação é cultivar alimentos SEM QUÍMICOS em nome da minha saúde, da sua e dos ecossistemas que mantém-nos vivos. Há alternativas muito viáveis ao uso de pesticidas e inclusive há países que começam a construir regulamentação para produzir exclusivamente Biológico/orgânico (você pode também pesquisar o que diz a ONU e algumas outras organizações sobre o tema e pode ainda pesquisar mais sobre agricultura biológica, Permacultura, ou agricultura Biodinâmica, ou ainda, agricultura integrada). Depois é importante que percebas que essa coisa de "praga" é um conceito que foi criado com o surgimento das grandes monoculturas (que por si só são nocivas à biodiversidade). Na natureza, nos ecossistemas, não há tal coisa. As outras agriculturas que mencionei acima preocupam-se em aprender pelos ecossistemas: é primeiro necessário entender como manter a saúde dos ecossistemas para depois poder produzir alimento de qualidade para todos. Também é importante que o senhor saiba que a indústria da alimentação está na mão de poucas corporações e são essas que financiam as pesquisas que dizem que os químicos não são assim tão maus. São essas que fazem lóbi em Bruxelas e, se não fosse o facto de que pelo menos outros 15 países da UE não estivessem mais atentos à estas questões ambienteis e de bem estar, nós estaríamos atolados em agrotóxicos e OGMs. Por fim, fique o senhor sabendo que não podemos delegar para a ciência o que é certo, ou errado, ou ético. Isso cabe a todos nós, é da nossa inteira responsabilidade, pois a ciência tem também intenções e aspirações. Eu sugiro não confiar assim, tão cegamente nela, pois é também por esse olhar tão científico sobre o mundo que nos separamos das dinâmicas dos ecossistemas e que estamos a beira de um colapso ecológico. Saiba também o senhor que, enquanto agricultor, eu cá vou me virando, mas não quero a pena de ninguém, quero antes que pessoas como o senhor INFORMEM-SE muito e passem a consumir orgânicos comprados directamente do produtor, mais próximo (um vizinho de preferência) e passem a confiar muito menos nas prateleiras coloridas dos supermercados. Desconfiem também dos políticos que tudo que fazem é proteger os interesses dos grandes, dos agronegócios, dos agroquímiscos, etecetera. Nós, senhor Miguel, estamos juntos. Informe-se por favor, por si e pelos seus.

É bom ser prudente, 1000 vezes prudente quanto à aplicação de pesticidas. Os argumentos das multinacionais interessadas na sua venda terão que necessariamente ser apoiados em entidades oficiais e independentes. É bom também investigar se por trás não estará otal envelope...

Acorde por favor. Tem algum interesse em ser alimentado com químicos tóxicos e doentios? Não é suficientemente grave? Somos infelizmente, mal servidos pelos nossos (ir)responsáveis que estão a desprezar o valor da sua vida.

Meu Caro Miguel Leão. Estais preocupado com os agricultores... Pois ficai já a saber da conclusão dos meus estudos, das minhas experiências laboratoriais, da minha experiência empírica, do meu conhecimento teórico e da minha sabedoria: Se a Abelha desaparecer, não haverá o agricultor, não haverá o médico, não haverá o advogado muito menos o político, não haverá o Homem, muito menos qualquer animal. Haverá sim areia para enterrares a tua cabeça!

A abelha não é o lobo nem o linçe ibérico, nem o tigre nem o urso polar. É uma espécie sustentadora

Solução: Já que somos tão egoístas e que nos estamos a cagar para tudo o resto, exceto o nosso próprio lombo, temos de nos proteger!!! E a melhor maneira é proteger a Abelha.

Estudos sobre isso há e muitos e não faltam para me apoiarem. Apenas é fácil eu criar argumentos falaciosos e tendenciosos que leva a querer o Ignorante do contrário, bastando saber que a entidade que me está a transmitir esses argumentos seja de confiança.

Ps: A ministra é apenas um fantoche nas mãos das Grandes Corporações que temem em perder o dinheirito

Concordo plenamente. E já agora podem perguntar aos agricultores o que eles acham que lhes vai acontecer se proibirem esses pasticidas. Ficam as abelhas e acabam com uma variedade de outros produtos que precisam desses pesticidas para serem viaveis, passamos a importa-los tambem de paises onde esses pesticidas não são utilizados por não serem necessários e que possivelmente são os que se movem a favor do fim destes produtos.

Já pensaram que pode haver a possibilidade de estes produtos serem mesmo precisos para fazer face a certos problemas? É que, para quem não trabalha em Agricultura, é muito fácil falar em tirar substâncias activas do mercado... Talvez haja alguma preocupação com os agricultores por parte da nossa ministra...

ainda bem que o bloco votou contra esta na hora de mudarem leis e fazerem a voz do povo ser ouvida! mudem pra uma democracia participativa! o costa pra mim nao é soluçao mas se for o inicio de uma alternativa que ajude portugal e os portugueses apoio! alem disso esta na hora de alguem mudar leis e que revirem a historia de privatizaçoes e negociatas do estado que so serviram para usar o dinheiro do povo para encher os bolsos de alguns.

para um estado que vive atolado na lama , na imundice da violação dos valores morais , éticos e sociais, não se espantem de tal assentamento.
Cabe a cada um dizer não. Não voto em partidos que violam as mais elementares normas de protecção do ambiente, natureza e saúde pública. Não me interessa que sejam de esquerda ou de direita. Vivemos num estado miserável, governados por gebos, por gente sem moral.Lutemos,sempre.

Como sabem sem abelhas não há polinização, é uma espécie em risco, mas devemos é proteger os interesses de quem paga e enriquece, depois vai á missa pedir perdão e fazz mais 14 filhos que quem paga são os de sempre, esta é a
srª. que após 4 (quatro) anos de governo apresenta agora medidas para a educação, enfim cérebro igual a zero, interesses igual a milhões, tudo malta igual muitas portas abertas com poucos passos.

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