Um aplicativo extra-oficial do WikiLeaks foi removido da App Store da Apple, apenas três dias depois de ter sido aprovado. O programa, que facilitava o acesso aos telegramas divulgados pela WikiLeaks, num formato apropriado para navegação no iPhone, iPod Touch ou iPad, fora aprovado no dia 17 de Dezembro.
O programa foi desenvolvido pela empresa Hint Solutions, com sede em Moscovo. Custava 1,99 dólares e, segundo o seu programador, Igor Barinov, a empresa doava, por cada programa comprado, um dólar para “ajudar a financiar os custos legais de defesa de jornalistas que forem processados num tribunal dos EUA” por escreverem sobre os telegramas divulgados pela WikiLeaks.
Antes de ser retirado da loja, foram feitos 4.434 downloads do programa.
A Apple disse a Barinov que o seu programa nunca mais voltará à loja, porque violou cláusulas impostas aos programadores, como a que diz que será rejeitado qualquer aplicação que seja difamadora, ofensiva, mal-intencionada, ou passível de pôr em perigo pessoas ou indivíduos”.
A justificação parece pouco convincente: "A Apple retiraria um aplicativo do New York Times ou os diários do Rupert Murdoch do iPad se eles publicassem documentos da WikiLeaks que a Apple acredita pôr em risco a vida das pessoas?", questionou o site Business Insider.
O mais curioso é que qualquer proprietário de um desses aparelhos portáteis da Apple pode aceder aos telegramas da WikiLeaks usando um programa de navegação na web como o Safari, o que levanta a suspeita de que o verdadeiro objectivo da decisão seja impedir uma recolha de fundos para a WikiLeaks feita por esta via.
Com a decisão de boicotar a WikiLeaks, a Apple vem assim juntar-se a empresas como a Amazon, que deixou de hospedar o WikiLeaks nos seus servidores, a PayPal, que também não permite que doações à organização sejam feitas através do seu sistema, e a Mastercard, a Visa e o Bank of America, que procuram, sob as ordens do governo dos EUA, estrangular financeiramente a organização.